Daniel Vorcaro prepara ofensiva para tentar mudar regime de liquidação do Banco Master

Daniel Vorcaro prepara ofensiva para tentar mudar regime de liquidação do Banco Master

“TCU recua em caso Master, quando STF fará o mesmo?”, afirma Roseann

Roseann Kennedy comenta sobre o como o caso Master transforma contradições processuais em problema institucional e testa limites do compromisso de Dias Toffoli. Crédito: TV Estadão

BRASÍLIA — O banqueiro Daniel Vorcaro prepara uma ofensiva para tentar mudar o regime de liquidação do Banco Mestre decretado pelo Banco Central. Ele estuda uma proposta para transformar a liquidação extrajudicial, capitaneada pelo BC, em uma liquidação ordinária, proposta pelo próprio Banco Master, segundo pessoas que acompanham as negociações.

A estratégia pode mudar a precificação de ativos, o calendário de pagamento aos credores e o futuro dos bens de Vorcaro. Pessoas que acompanham o processo identificam na estratégia uma tentativa do empresário de se proteger e afirmar que o banco é superavitário e pode pagar o que deve. Procurado, Daniel Vorcaro não comentou. O Banco Central também não se manifestou.

A alternativa envolve uma estruturação complexa, pois precisa ser negociada e autorizada pelo Banco Central e eventualmente envolver uma consulta aos credores, que esperam o pagamento dos valores investidos no banco liquidado. Além disso, demandaria uma mudança no curso do processo que está em andamento.

Vorcaro e Master são investigados por fraudes no sistema financeiro e por negociar títulos falsos com o BRB, Banco de Brasíliao que levou o BC a decretar uma liquidação extrajudicial na instituição.

Como mostrou o Estadão, o banqueiro poderá usar o processo do Tribunal de Contas da União (TCU) que investiga a atuação do Banco Central na liquidação do Master para reforçar sua defesa, questionar a decisão do BC futuramente e até para pedir uma indenização à União.

Em nota à reportagem na segunda-feira, 12, a defesa de Vorcaro disse que o banqueiro não busca reverter a liquidação do Banco Master, “e sim alternativas que possam trazer a melhor solução e desfecho para todos os credores e investidores institucionais.”

Pessoas que acompanham o processo avaliam que a estratégia de Vorcaro envolve uma operação para se proteger e salvar bens. Além disso, ele poderia usar a investigação do TCU para tentar “cavar” uma ilegalidade na atuação do Banco Central.

O empresário já citou o processo do TCU para questionar a liquidação extrajudicial nos Estados Unidos. A justiça americana, porém, reconheceu a liquidação determinada pelo Banco Central do Brasil.

O ministro do TCU Jhonatan de Jesusque determinou uma inspeção no BC, alertou anteriormente que poderia impedir a venda de bens do Master na liquidação. O despacho deixou explícita a possibilidade de favorecer o banqueiro e amenizar o que for feito pelo Banco Central, segundo técnicos.

A temperatura, porém, baixou nesta segunda-feira, 12, após reunião entre os presidentes do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do TCU, Vital do Rêgo Filho. Como mostrou o Estadão, no encontro, foi firmado um compromisso de uma diligência rápida – que nem chega a ser uma inspeção –, feita pelo corpo técnico do TCUunidade respeitada conhecida como “audbancos”, e não mais pelo gabinete do ministro relator do caso, Jhonatan de Jesus.

Já nesta terça-feira, 13, o BC retirou o recurso apresentado ao TCU contra a decisão monocrática de Jhonatan de Jesus. O Banco Central havia solicitado uma decisão colegiada do TCU sobre a medida.

A liquidação extrajudicial é uma medida decretada pelo Banco Central que interrompe o funcionamento de uma instituição, retirando-a do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Isso significa que o banco fecha, deixa de funcionar. O BC nomeou um liquidante, que deve buscar a venda dos ativos existentes para viabilizar o pagamento dos credores.

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Também é acionado o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma espécie de “seguro” aos investidores e correntistas contra calotes. O FGC garante o pagamento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição bancária. O FGC vai ressarcir cerca de 1,6 milhão de credores que tinham depósitos e investimentos no Banco Master, somando R$ 41 bilhões.

A liquidação ordinária é diferente e pode ser proposta pela própria empresa, assumindo um caráter mais administrativo. Nesse caso, o Banco Master poderia elaborar uma solução para garantir o pagamento dos credores, organizar a venda de bens e proteger os bens de Vorcaro, sem interferência do Banco Central.

O Banco Central continuaria tendo de aprovar a realização da liquidação ordinária. Além disso, os procedimentos de pagamento também precisariam de aval da autoridade monetária. A diferença é que o protagonismo do planejamento da liquidação seria do Master.

Segundo registros do Banco Central e do FGC, outros bancos já passaram por liquidações ordinárias. Houve instituições que mudaram o regime de extrajudicial para ordinária, como o Banco Interunion, o Banco Vega e o Banco do Estado do Amapá, nos anos 1990. A legislação atual exige que os interessados peçam a mudança de regime para o Banco Central. Na liquidação ordinária, o FGC continuaria garantindo o pagamento de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

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