Como a tecnologia da bola que anulou gol da Croácia na Copa organiza o tráfego dos robôs em fábricas

Como a tecnologia da bola que anulou gol da Croácia na Copa organiza o tráfego dos robôs em fábricas

Por trás de cada passe analisado pela arbitragem de vídeo (VAR) na Copa do Mundohá uma tecnologia de ponta desenvolvida especialmente para o futebol. O equipamento foi um dos protagonistas do jogo entre Portugal e Croácia nesta quinta-feira, 2, e definiu a anulação do segundo gol da equipe liderada por Luka Modric.

O sensor de alta precisão usado no esporte, porém, não serve apenas para validar lances polêmicos: já é usado em algumas das fábricas mais modernas do mundo e serviu de base para o desenvolvimento de outras tecnologias usadas no dia-a-dia, em celulares e óculos de realidade virtual.

A tecnologia de bola conectada foi desenvolvida pela Adidas em parceria com a empresa de tecnologia Kinexon. O coração dessa tecnologia é um pequeno sensor chamado Unidade de Medida Inercial (IMU, na sigla em inglês). Ele pesa poucos gramas, funciona como uma linha de “eletrocardiograma” que capta movimentos 500 vezes por segundo e envia dados em tempo real.

A tecnologia criada para o futebol rapidamente migrou para o basquete, o handbol e o hóquei no gelo. Pouco tempo depois percebeu-se que poderia ser usada em outras áreas. O sensor instalado dentro das bolas para monitorar os chutes dos melhores atletas do mundo virou o cérebro operacional de montadores, grandes armazéns de mercadorias e outras gigantes da logística global.

Trionda, a bola da Copa do Mundo 2026 Foto: Divulgação/Adidas

O GPS tradicional, que usamos para navegar nas ruas e estradas, não funciona dentro de galpões fechados devido às coberturas de metal e concreto. Além disso, sua precisão varia em metros — uma margem aceitável para um carro, mas fatal para uma linha de montagem ou para detectar a posição de uma bola.

A tecnologia utiliza o Ultra-Wideband (UWB), sistema de rádio de curto alcance e altíssima frequência. Em vez de satélites no espaço, antenas são instaladas ao redor do estádio (ou do galpão industrial). O chip inserido no objeto (ou na bola) envia dados milhares de vezes por segundo para as antenas.

O resultado é de uma precisão milimétrica, capaz de localizar qualquer peça, robô ou pessoa em tempo real com menos de 5 centímetros de margem de erro. No futebol, o sensor avisa o momento exato em que a bola toca o pé do jogador. Na indústria automobilística, por exemplo, ele avisa exatamente qual parafuso está sendo fixado em uma linha de montagem.

Interior de um armazém de mercadorias: tecnologia ajuda a localizar pacotes e guiar robôs Foto: Angelo.gi/Adobe Stock

Em fábricas de alta tecnologia, parafusadeiras e chaves pneumáticas recebem automaticamente as informações de posicionamento. Ao aproximar a ferramenta do chassi de um veículo, o sistema central reconhece a peça exata e configura o torque (a força de aperto) de forma automática. Se o operador tentar usar um componente diferente, a ferramenta simplesmente não liga. Ou seja, a tecnologia elimina eventuais falhas humanas antes mesmo de elas acontecerem.

O gerenciamento de grandes armazéns logísticos sempre foi um pesadelo de etiquetas, leitores de código de barras e contagens manuais. Com os sensores de movimento, esse cenário mudou radicalmente. Pallets e caixas equipados com o chip indicam continuamente sua posição. O sistema de gerenciamento de estoque sabe o que entrou e saiu sem a necessidade de um funcionário escanear cada código de barra.

A tecnologia também ajuda a organizar o tráfego de robôs em fábricas que utilizam vários veículos autônomos ao mesmo tempo em um mesmo espaço físico. Ao ter ciência da localização de cada um dos robôs, a tecnologia funciona como uma torre de controle de tráfego aéreo interno, indicando rotas individualizadas, evitando colisões e otimizando o fluxo de mercadorias.

O sensor IMU é ainda base da tecnologia que usamos cotidianamente para que a tela do nosso celular gire quando deitamos o aparelho; para que os controles de videogame entendam que estamos mexendo as mãos e ainda para que óculos de realidade virtual saibam exatamente para onde estamos olhando.

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