Novo confirmará candidatura de Zema na convenção, mas deve adiar definição sobre vice

Novo confirmará candidatura de Zema na convenção, mas deve adiar definição sobre vice

Disputa entre Romeu Zema e Renan Santos vai muito além do sonho de chegar à Presidência

Novo e Missão travam uma batalha pelo voto liberal e usam as candidaturas para impulsionar projetos que tentam ocupar o mesmo espaço. Crédito: Ricardo Correa

A convenção nacional do Partido Novo no dia 27 de julho em Brasília (DF) ratificará a candidatura de Romeu Zema a presidente da República, mas postergará a definição do vice. A tendência é que a escolha do companheiro de chapa do ex-governador de Minas Gerais seja delegada para a Executiva Nacional.

A estratégia busca ganhar tempo e manter as portas abertas para uma composição com partidos que hoje estão neutros ou apoiam o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A definição da chapa precisa ocorrer até o dia 15 de agosto, data limite para o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A avaliação de aliados de Zema é que novas revelações podem causar desgastes a Flávio e enfraquecer a candidatura do filho ’01’ de Jair Bolsonaro (PL) até lá.

Neste sábado, no Encontro Nacional do Novo, o presidente da sigla, Eduardo Ribeiro, confirmou a estratégia durante coletiva. Ele também confirmou que o partido tem conversado com o Podemos para tentar alinhar uma aliança. “Temos conversado com alguns partidos, em especial o Podemos. Tenho uma ótima relação com a Renata (Abreu, presidente da sigla). Acho que há possibilidade de fazermos uma composição, mas ainda não há essa definição”, admitiu.

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Prazo para regularizar o título, convenções partidárias, início da campanha e dia da votação; entenda o cronograma completo. Crédito: Estadão

Para os aliados de Zema, pode haver uma migração de votos e de apoio político para o ex-governador de Minas – hipótese que não se concretizou mesmo com o áudio de Flávio pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai e o vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) relata ter sido humilhada pelo enteado.

Na semana passada, o site ICL publicou uma foto do senador com Luiz Phillipe Mourão Filho, o Sicário, apontado pela Polícia Federal como líder do núcleo de intimidação e coerção montado por Vorcaro. Flávio afirmou que não sabe se a imagem é real, mas que se for, trata-se apenas de uma das muitas fotos que ele é requisitado a tirar todos os dias por apoiadores.

Zema durante evento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) no início do mês. Foto: Wilton Junior/ Estadão Foto: Wilton Junior/Estadão

Embora o Podemos seja o partido no qual o Novo deposita mais esperanças, a sigla tende à neutralidade na eleição presidencial. Zema fez um aceno à legenda no início do mês ao afirmar que o empresário Geraldo Rufino (Podemos) é um dos cotados para ser seu vice. Se não fechar apoios, o nome virá do próprio Novo.

Aliados de Zema no Novo afirmam que o ruído com os diretórios da região Sul ficou no passado e que ele terá a candidatura confirmada com tranquilidade – provavelmente por unanimidade – durante a convenção.

O pré-candidato foi repreendido publicamente pelos diretórios de Santa Catarina e do Paraná após publicar um vídeo criticando Flávio pela ligação com Vorcaro.

Apesar do atrito, ambos os diretórios disseram ao Estadão que são favoráveis ​​à candidatura do governador. Já o Novo do Rio Grande do Sul optou por não antecipar o voto, que é secreto. O partido apoia candidatos do PL a governador nos três Estados.

No total, 21 diretórios estaduais afirmaram ao Estadão que votarão a favor da candidatura de Zema. Isso significa que o ex-governador tem pelo menos 42 votos, mais do que a maioria simples necessária para confirmar a candidatura.

O estatuto da sigla prevê que 68 pessoas têm direito a voto na convenção: 8 membros do diretório nacional, 54 presidentes e vice-presidentes dos diretórios estaduais, os 5 deputados federais e o único senador do partido, Eduardo Girão (Novo-CE).

Segundo aliados, Zema continuará investindo no discurso de que é um estranho na política, apesar dos dois mandatos como governador. Ele também não deve insistir nas críticas a Flávio. A avaliação é que ele já se posicionou sobre a conduta do senador e que insistir no tema transformaria o assunto em bandeira eleitoral, tirando o foco de suas propostas para o País.

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