Atenção: O texto abaixo tem spoilers do primeiro episódio da terceira temporada de A Casa do Dragão. Não leia se não quiser saber o que acontece
Em sua estreia, a terceira temporada de A Casa do Dragão trouxe um dos momentos mais dramáticos da série até agora: a morte de Jacaerys (Harry Collett), o filho mais velho de Rhaenyra (Emma D’Arcy), e de seu dragão Vermax. Os dois morreram em meio à batalha da Goela, descrita por George R. R. Martin eles Fogo e Sangue como uma das mais sangrentas da história de Westeros.
É um ponto de virada para a história, como conta o showrunner Ryan Condal em entrevista ao Estadão. “É um dos momentos seminais da série; ele realmente mexe com o tabuleiro, não só politicamente, mas também com a própria Rhaenyra, sua busca pelo trono, sua sucessão, seu casamento e sua aliança com os Velaryon; é o primogênito dela, com quem ela tinha uma relação muito próxima.”

A batalha da Goela ocupou parte importante do primeiro episódio da terceira temporada de ‘A Casa do Dragão’ Foto: HBO/Divulgação
Para Rhaenyra, que na primeira temporada já havia perdido o outro filho, Lucerys, será um golpe forte. “Tem uma Rhaenyra antes e outra depois da morte de Jace, e vocês verão que são duas personagens muito diferentes”, diz Condal. O diretor do episódio, Persistência de Lonicompleta: “É mais uma coisa para Rhaenyra. Esperem até ver o que Emma faz, é impressionante”. A reação da postulante ao Trono de Ferro será mostrada no próximo episódio, no domingo, 28.
A despedida e o erro fatal
Dizer adeus a Jace foi “de partir o coração”, afirma Condal, acrescentando que se despedir de seu intérprete, o jovem ator Harry Collettde 22 anos, também foi difícil. “Eu amo Harry como pessoa e como ator; ele literalmente cresceu na série. Não era nem maior de idade quando o escalamos, e agora ele é esse jovem adulto com essa bela cabeleira (risos) e se tornou um profissional incrível. Foi difícil dizer adeus porque adoro ele e escrever para ele.”
Peristere conta que o momento da morte de Jace emocionou os membros da produção desde que a equipe começou a trabalhar em sua adaptação para as telas. “É (um momento) horrível. Todo mundo chorou quando leu o roteiro, todo mundo chorou quando viu os storyboards e depois quando mostrei a pré-visualização de como a cena seria. E ainda era em formato de desenho, então sabíamos que (a cena finalizada) iria ter impacto”, recorda.

Harry Collett é Jace em ‘A Casa do Dragão’ Foto: HBO/Divulgação
A morte de Jace acontece de forma bem parecida com a do livro Fogo e Sangue: seu dragão Vermax é atingido pelo exército inimigo e cai na água; Jace até consegue nadar na superfície, mas se torna alvo de diversas flechas, que o ferem fatalmente. Condal explica que buscou se manter fiel ao trabalho de Martin, ao mesmo tempo em que adicionava emoção à sequência.
“No livro, ele é descrito como mais um item, porque é uma história contada a partir de outras fontes, em forma de registro histórico. Não tem o impacto visceral que teria se você estivesse lendo ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’ (livros que deram origem a Game of Thrones) ou vendo na tela. Nosso trabalho foi traduzir isso em um momento dramático que é construído como inevitável e, ao mesmo tempo, surpreendente.”
Para Peristere, Jace acreditou até os últimos momentos que seria resgatado. “Eu não acho que ele pensa que vai morrer até a última flecha o atingir. Ele acredita que alguém vai pegá-lo.”
Na percepção do diretor, a decisão do jovem de ir para a batalha e trancar Rhaenyra está muito ligada à sensação de onipotência trazida pelos dragões. “Parte de ter um dragão é ter esse sentimento de ser intocável. É como achar que se eu andar por aí em um míssil nuclear, ninguém vai me pegar. Há esse sentimento de que ele precisa provar algo, e acho que todos podem se identificar com isso. É o erro que ele comete.”