BRASÍLIA — O Brasil negou o visto de dois oficiais dos EUA que pretendiam vir ao País para questionar o sistema eleitoral brasileiro após identificar tentativas do governo do presidente norte-americano, Donald Trumpde lançar desinformação sobre as eleições de outubro.
Veja vídeo em que Flávio Bolsonaro usa dado falso sobre urna eletrônica em reunião com embaixadores
Pré-candidato a presidente da República repete suspeitas infundadas que embasaram condenação do pai, Jair Bolsonaro. Crédito: Divulgação
Autoridades brasileiras que conversaram com o jornal norte-americano apontam que o objetivo dos EUA é elaborar um relatório que possa ser usado para deslegitimar o sistema de votação eletrônica do Brasil.
Conforme o Estadão apurou, o Brasil já havia identificado a tentativa norte-americana antes da publicação. No dia 20 de julho, o governo brasileiro teve conhecimento da intenção após o Departamento de Estado dos EUA solicitar os vistos ao Consulado do Brasil em Washington.
Um sinal de alerta veio da reunião do senador Flávio Bolsonaro (RJ), candidato do PL à Presidência, com embaixadores, no dia seguinte. No encontro, o senador citou suspeitas já negadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as urnas eletrônicas.
UM visita iria ocorrer após o encontro de Flávio com embaixadores. Formalmente, o pedido dos Estados Unidos era para debater “liberdade de expressão relacionada às eleições”. As autoridades brasileiras identificaram tentativa de tumultuar o processo eleitoral por meio da missão diplomática.

O Brasil negou o visto de dois oficiais dos Estados Unidos que pretendem vir ao País para questionar o sistema eleitoral brasileiro após identificar tentativas do governo do presidente americano, Donald Trump, de lançar desinformação sobre as eleições brasileiras. Foto: Saul Loeb/SAUL LOEB
O Itamaraty confirmou ao Estadão que os vistos de Riley Barnes, secretário assistente, e Samuel Samson, secretário assistente assistente do Departamento de Estado, foram negados na sexta-feira, 24. Ambos foram citados por oficiais dos EUA que conversaram com a reportagem do jornal norte-americano como os escolhidos para desembarcar no Brasil.
O Departamento de Estado dos EUA confirmou ao jornal norte-americano a pretensão de enviar Barnes e Samson ao Brasil, mas não respondeu sobre o objetivo da viagem. Fontes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dizem que o órgão ainda não recebeu nenhum aviso oficial do governo dos EUA sobre o envio dessa comitiva.
As medidas ocorrem em meio a atritos diplomáticos entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, diante do tarifaço do presidente Donaldt Trump imposto aos produtos brasileiros e às ameaças do Brasil de retaliar com tarifas aos norte-americanos. No campo político, as iniciativas ocorrem na largada da campanha eleitoral, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Siva (PT) enfrenta Flávio Bolsonaro.
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O governo brasileiro reagiu neste sábado, 25. “Ninguém, muito menos Trump vai se meter no processo eleitoral brasileiro”, disse o ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, José Guimarães, ao Estadão.
Durante a convenção do PT que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre tentativas de inferências no pleito de outubro, sem citar diretamente os Estados Unidos. “Quem quiser de fora vir se meter nas eleições braseiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições”, disse o presidente.
Lula reforçou que o destino do Brasil será decidido por 157 milhões de eleitores e que o Brasil é soberano e quer manter relações com todos os países sem guerra, mas com paz. “Esse país é nosso e ninguém aqui mete o bedelho.”