Como a tecnologia está melhorando o tratamento e o diagnóstico do câncer?
Identificação de novos alvos moleculares e uso da IA na leitura de exames deverão mudar área de oncologia nos próximos anos.
Um tratamento experimental envolvendo uma combinação de medicamentos foi capaz de eliminar completamente tumores cancerígenos de pâncreas em camundongos. O trabalho constatou que os tumores desapareceram em um intervalo de três a quatro semanas após o início do tratamento nos modelos animais, sem o desenvolvimento de resistência às drogas.
Embora os resultados ainda sejam muito preliminares, eles abrem caminho para uma nova abordagem de tratamento do câncer de pâncreas – considerado um dos mais agressivos e letais.

O câncer de pâncreas é um dos mais agressivos e letais para os seres humanos Foto: Adobe Estoque
O estudo foi publicado na revista científica PNAS de dezembro passado e é liderado pelo diretor do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha, Mariano Barbacid.
O novo tratamento reúne três compostos que agem diretamente nas células tumorais. Um deles tem como alvo o oncogene KRAS, considerado o mais presente nos casos de tumores de pâncreas. As outras duas drogas atuam sobre as proteínas EGFR e STAT3, envolvidas na progressão do tumor.
O pâncreas é responsável pela produção de insulina e de enzimas que auxiliam na digestão de gorduras. Em seres humanos, o câncer de pâncreas costuma evoluir de forma silenciosa nos estágios iniciais, o que faz com que, na maioria dos casos, o diagnóstico seja tardio e as perspectivas de tratamento muito limitadas. No Brasil, o câncer de pâncreas é o 7º mais letal entre homens e o 5º entre as mulheres.
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Após o sucesso dos testes em camundongos, cientistas costumam testar a terapia em animais maiores para somente em uma terceira fase dos estudos dar início à testagem em humanos – inicialmente em grupos pequenos e, dependendo dos resultados, em grupos maiores.
Apesar dos resultados promissores, dados do FDA (a agência de drogas e alimentos dos Estados Unidos) indicam que até 95% das terapias testadas com sucesso em camundongos não se transformam em tratamentos eficazes para seres humanos. Isso porque a grande distância filogenética entre animais de laboratório e seres humanos limita o poder de predição.