De Greta Ruffino com PA
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Um tribunal federal de recurso rejeitou a tentativa do ex-presidente norte-americano Joe Biden de travar a divulgação de gravações áudio e transcrições de entrevistas que concedeu a um escritor-fantasma das suas memórias antes de ser eleito presidente.
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Em uma decisão de 2 a 1, emitida na noite de segunda-feira, o coletivo considerou que há um interesse público «substancial» na divulgação do material que Biden quer manter em segredo, acrescentando que os cortes nas gravações ajudariam a proteger sua privacidade.
«Concluímos que qualquer intrusão remanescente na esfera da vida privada resultante da divulgação dos materiais agora expurgados provavelmente não supera o interesse público em sua divulgação», diz a decisão.
As gravações resultam de entrevistas conduzidas por Mark Zwonitzer em casa de Biden, em 2016 e 2017, enquanto trabalhavam nos seus livros. Os advogados de Biden defendem que as conversas eram francas, pessoais e destinadas a permanecer privadas.
As gravações foram obtidas pelo procurador especial Robert Hur, que investigou a forma como Biden lidou com documentos classificados do período em que foi senador pelo Delaware e vice-presidente de Barack Obama.
Os republicanos no Congresso exigiram o material depois que Hur decidiu não apresentar acusações contra o então presidente.
A juíza Florence Pan, nomeada por Biden, escreveu uma opinião dissidente, argumentando que o ex-presidente tem um «interesse significativo de privacidade» em manter o material oculto.
«As conversas em questão ocorreram na casa de Biden e as respectivas gravações foram obtidas pelo governo no âmbito de uma investigação criminal que não resultou em nenhuma acusação», escreveu.
Biden entrou com uma ação para impedir o Departamento de Justiça da administração Trump de divulgar as gravações ao Congresso e à conservadora Heritage Foundation, mas apelou depois que a juíza federal Dabney Friedrich decidiu em junho que o interesse público no material superava seus direitos de privacidade.
Na sua opinião dissidente, Pan afirmou que a decisão da maioria abre, na prática, caminho para a divulgação imediata das gravações, tornando o processo «sem objeto».