Mesmo com saídas de Master, Reag e Fictor, setor de escritórios está aquecido

Mesmo com saídas de Master, Reag e Fictor, setor de escritórios está aquecido

Diminuição do home office e aumento do expediente presencial são motores do crescimento da área alugada Foto: Foto Tiago Queiroz/Estadão – 20/03/2026

Apesar do ciclo marcado pela devolução de escritórios de instituições problemáticas – casos do Banco Master, Fictor e Reag – o mercado paulistano de prédios corporativos se mantém aquecido. Isso é o que mostra relatório da consultoria imobiliária Newmark. As locações totalizaram 175 mil m² no segundo trimestre (algo como 22 campos de futebol). Isso foi 13% a mais que do no primeiro trimestre e 8% acima do mesmo período do ano passado.

A diminuição do home office e o aumento na frequência do expediente presencial seguem como o principal motor para o crescimento da área alugada. “Esse tem sido o cerne do aquecimento da demanda. É isso que mais motivou as empresas a fazerem novas locações e mudanças para prédios maiores”, afirmou a diretora de pesquisa de mercado da Newmark, Mariana Hanania.

Mesmo com essas devoluções, absorção líquida, isto é, o saldo entre locações e devoluções, manteve-se positiva, em 72 mil m². “As devoluções estavam girando em torno de 60 mil m² a 70 mil m² nos trimestres anteriores, mas deram uma aumentada”, observou Mariana.

Espaço vago no mercado caiu

Os espaços vagos no mercado caíram para 14,4% no segundo trimestre, abaixo dos 14,9% do primeiro trimestre e inferior aos 18% registrados no mesmo período do ano passado. “Tudo isso mostra que a recuperação do mercado de escritórios segue robusta. As locações estão aquecidas, e o aumento das devoluções foi devido a casos pontuais, sem configurar uma tendência”, avaliou a diretora da consultoria.

Entre as devoluções que marcaram o ciclo está a do Banco Master, liquidado pelo Banco Central. Ele devolveu 8 mil m² (cinco andares) no Prédio da Baleia, espaço ocupado pouco tempo depois pela Shopee. Depois, o Master devolveu mais 13 mil m² no Auri Plaza (aquele que virou a cara do noticiário sobre o escândalo do banco – e ainda está vazio).

A Reag devolveu o Bothanic, de 5,1 mil m², que abrigava sua sede numa travessa da Faria Lima. Recentemente, o BMA Advogados ficou com o espaço. A Fictor também fez as malas e se mudou do Jatobá Green Building, deixando 3,4 mil m². Fora desse universo de instituições problemáticas, o Bradesco foi responsável pela maior devolução no segundo trimestre: 16 mil m² em Alphaville, no Edifício Alpha Building.

Empresas de serviços lideram

As empresas de serviços – em especial de tecnologia e do setor financeiro – seguem liderando as principais locações, priorizando edifícios modernos, localizações estratégicas e certificações ambientais. A Amazon arrematou, sozinha, 46 mil m² no Biosquare, em Pinheiros (locação acertada ano passado, com mudança recentemente).

A fintech Gooroo Crédito, por exemplo, alugou 3,7 mil m² (4º e 5º andares) da torre Diamond, do Rochaverá Corporate Towers, na Chucri Zaidan (em frente ao Shopping Morumbi). O foco aí foi se preparar para ciclos de crescimento da companhia. A operação foi conduzida pela Arch Capital, gestora do fundo que é um dos donos do complexo.

Esta notícia foi publicada na Transmitir+ no dia 07/07/2026, às 17:47

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