Perto do fim do prazo da Justiça, Braskem e credores ainda vivem impasse

Perto do fim do prazo da Justiça, Braskem e credores ainda vivem impasse

Falta menos de um mês para o fim da proteção contra cobranças obtida pela Braskem na Justiça Foto: Daniel Teixeira/Estadão – 16/03/2012

A disputa em torno de um desfecho para o alto endividamento da Braskem tem levado credores e a empresa a assumirem o discurso de que a companhia poderá ser levada para a recuperação judicial. Ambos os lados falam, sem medo, que essa possibilidade se apresenta à medida que os credores não recuam e que o bloco controlador não oferece contrapartidas para os detentores de dívidas da companhia.

A tensão aumentou após os investidores externos, que têm títulos de dívida emitidos em dólar (títulos), insistirem na tese de que a empresa precisa se desalavancar de imediato, apurou a Broadcast. Nesse sentido, propuseram aportar recursos na companhia, uma vez que os atuais acionistas – IG4 Capital e Petrobras – sinalizam que não pretendem colocar dinheiro novo na Braskem. O aporte, claro, exige uma compensação: eles pedem a entrega de todos os ativos da companhia em garantia. Os chamados detentores de títulos são o maior grupo de credores da Braskem, o que lhes dá vantagem nas negociações.

O impasse acontece a menos de um mês do fim da proteção contra cobranças obtida pela Braskem na Justiça e durante a qual a empresa petroquímica tenta alinhavar um plano de recuperação extrajudicial, para o qual precisa atrair inicialmente 33% dos credores. A gestora norte-americana Elliott montou posição relevante entre os detentores de títulos e, conforme fontes, está comandando esta briga. No entanto, interlocutores próximos à empresa resistem: “Estamos prontos para ir para uma recuperação judicial e derreter o valor dos títulos”, disse um deles.

Detentores de títulos querem falar direto com a Petrobras

Para tentar vencer a resistência da IG4, que tem liderado as negociações – por ter as cadeiras executivas da área financeira da companhia -, os detentores de títulos estão pedindo reuniões diretas com a estatal petroleira. “Petrobras e IG4 estão alinhadas”, devolve uma fonte próxima às negociações. A visão do mesmo interlocutor é de que a Petrobras não colocará dinheiro na empresa por caracterizar uma espécie de estatização da petroquímica, trazendo dívidas, além dos riscos do passivo do afundamento de bairros em Maceió (AL), para a estatal.

A IG4, por sua vez, teria o entendimento de que a Braskem não precisa de capital novo antes de o plano de reestruturação ser implementado. A companhia propôs aos credores o alongamento da dívida por cinco anos, com três de carência de juro. “Não se faz aporte para pagar credores”, disse uma fonte.

Outro problema de um aporte vindo dos credores está na diluição dos atuais acionistas, como consequência. No mercado, fontes lembram que a IG4 está engessada na manutenção do controle, uma vez que o ganho da estratégia que construiu ao assumir as ações de um grupo de bancos, está na valorização dessas ações. “Os credores estão dispostos a desalavancar a empresa sozinhos e se os sócios não querem ser diluídos, podem colocar dinheiro também”, disse uma das fontes próxima aos detentores de títulos.

Jogo duro

A visão de quem conhece gestoras estrangeiras que, como no caso da Braskem, não são investidores originais dos títulosmas compraram posições com o preço dos papeis já baratos pensando em lucro, é de que eles não cedem com facilidade em negociações tensas e buscam com persistência seus objetivos.

“Esses credores não querem ficar passivamente recebendo juro em cima de um plano de recuperação da empresa que pode não dar certo, eles querem ter certeza que a empresa vai gerar resultado e para isso defendem a necessidade de um choque de capital”, afirmou uma fonte. “Não querem reestruturação, querem o dinheiro”, disse outro interlocutor.

Por outro lado, há a leitura de que, com a situação do setor petroquímico global, não é possível esperar uma recuperação rápida da Braskem. Assim, se forem com muita sede ao pote, tanto credores quanto os negociadores da Braskem podem, de fato, levar a situação para uma recuperação judicial, o que tem consequências para todos, de imagem e reputação para os acionistas e de descontos na dívida para os credores.

Negociações continuam

De todo modo, as conversas continuam. Bancos credores e um grupo de debenturistas estariam em diálogo com área financeira da petroquímica para a construção de um plano até o fim de agosto. A companhia também vem mantendo diálogo com parte dos detentores de títulossem os quais não é possível chegar a um terço necessário para a aprovação de uma recuperação extrajudicial.

Procurada, a Braskem não comentou. Em comunicado ao mercado, a empresa afirmou, na última semana, que, “como é comum à dinâmica em processos dessa natureza, a companhia e seus assessores seguem interagindo com os credores e seus assessores, tendo recebido propostas meramente indicativas e não vinculantes de grupos de credores sobre as principais condições e parâmetros tentativos para uma potencial reestruturação, que permanecem em análise pela companhia”.

Esta notícia foi publicada na Transmitir+ no dia 24/07/2026, às 15:34

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