Até que ponto queremos a precisão do VAR no futebol?

Até que ponto queremos a precisão do VAR no futebol?

O uso do NOSSO para resolver lances difíceis no futebol tem gerado muitas polêmicas, mas temos de lembrar como é que era antes dele. Acho que todos se lembram de lances no passado que não foram marcados pelo juiz e deram vantagem significativa a um time em uma Copa do Mundo. Por exemplo, é inesquecível “La Mano de Dios” de Maradona no gol contra a Inglaterra na Copa de 1986.

O fato é que nossos sentidos são limitados. A visão, da qual nós confiamos tanto, tem um campo bem estreito e se baseia, inclusive, em memórias recentes, microssegundos antes. Ela acaba sendo menos precisa do que o necessário, em um jogo no qual pequenas diferenças de posição mudam tudo.

O VAR veio para aumentar a precisão com a ajuda das câmeras no estádio e do acelerômetro na bola. Afinal, é humanamente impossível julgar um impedimento que ocorre por alguns centímetros de diferença em uma fração de segundo. Mas, para a máquina, isso é fácil. Mas, aí vem a pergunta. Até onde queremos que a precisão do VAR vá?

Telão mostra revisão do VAR durante o jogo entre Brasil e Noruega, na Copa do Mundo. Foto: BUDA MENDES/AFP

O argumento que eu ouvi esses dias, e que eu acho válido, é que o VAR enxerga algo que nós não enxergamos mais. É diferente da história de “La Mano de Dios”, que foi um caso gritante. Mas sim quando há uma diferença tão sutil que não faz mais diferença para a jogada. Podemos dizer que houve vantagem indevida se uma bola raspou tão de leve na cabeça do jogador, a ponto de não haver um desvio perceptível de trajetória? Ou, se em uma situação hipotética, o jogador estava alguns milímetros adiantado?

Pela regra atual, se os sensores captam, o juiz pode julgar que houve vantagem. E se, porventura, o juiz disser que não houve vantagem, o time adversário pode argumentar que é uma falha humana diante de uma máquina que é muito mais confiável, trazendo incerteza justo naquilo que queremos reduzir com o VAR. Vale uma discussão sobre o quanto nós queremos de tolerância desses meios de medição para não transformar a disputa em algo artificialmente preciso, um laboratório.

O que todos queremos é um equilíbrio entre um grande espetáculo e um sistema justo. Errar a mão seja para o extremo tecnológico ou para o extremo humano pode estragar essa fórmula.

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