Carro usado ou híbrido novo: qual vale a pena financeiramente? Veja custos que entram na conta

Carro usado ou híbrido novo: qual vale a pena financeiramente? Veja custos que entram na conta

Você sabe o custo por km do seu carro?

É uma pergunta que, por incrível que pareça, poucos sabem responder. Ou, quando o fazem, esquecem de alguns fatores. E ela esconde algo fundamental: muitos consumidores estão migrando para carros elétricos e híbridos pela sua maior economia – mas vale mesmo a pena?

Antes de tudo, temos de dividir os custos entre os fixos e os variáveis. Começando pelos custos fixos: são aqueles custos que existem independentemente do quanto você usa o carro.

IPVA: em São Paulo, apenas híbridos flex pagam menos IPVA, mas estes modelos ainda são raros. Híbridos com motor a gasolina, que são a maioria, pagam os mesmos 4% de um carro não-híbrido.

Custo de oportunidade: este é um grande custo fixo que muitos costumam esquecer (e geralmente não consta em calculadoras de custo). É o quanto uma determinada quantia de dinheiro renderia caso não estivesse imobilizada no veículo. Em outros países é desprezível, mas no Brasil é um fator que deve ser considerado – no mínimo, 14% ao ano (rendimento nominal líquido de uma aplicação financeira conservadora).

Desvalorização: de modo geral, carros desvalorizam mais no primeiro ano que nos demais – mas é um porcentual que muda muito de modelo para modelo. No passado, era algo em torno de 15% no primeiro ano e cerca de 10% nos demais anos, mas, ao menos pela tabela Fipe, percebo que agora não necessariamente é o caso. De qualquer maneira, quem procura carros que desvalorizem menos está influenciando significativamente o seu custo fixo.

Seguro: é um caso complexo, já que a distância percorrida acaba tendo influência no perfil e preço do seguro, mas conceitualmente é um custo fixo.

Quanto aos custos variáveis:

Custo de combustível ou energia: aqui há uma vantagem inegável para carros elétricos ou híbridos. Para quem carrega seu carro elétrico ou híbrido em casa (onde o preço do kWh é menor), o custo por quilômetro é a metade ou até menos do que se o carro girasse com gasolina ou etanol. E há um caso específico no qual esta diferença é ainda maior: para quem produz sua própria energia em casa através de placas fotovoltaicas, este custo cai a praticamente zero (se as placas já estiverem depreciadas). Indubitavelmente, esse custo é um dos maiores chamarizes para carros eletrificados.

Custo de manutenção: certamente o item mais difícil de estimar genericamente, porque pode mudar muito entre marcas e modelos. Uma dificuldade adicional são os itens de desgaste com troca pouco frequente, como pneus, amortecedores e óleo de câmbio, que dificilmente serão trocados dentro de um ano e geram picos de custo em momentos específicos. De qualquer maneira, este é um custo certamente inferior no carro zero km (até mesmo pela garantia em vigor).

Dito tudo isto, vem o principal: vale a pena trocar para um híbrido?

Fiz uma comparação de um hipotético SUV flex usado de R$ 100.000 com um SUV híbrido novo de R$ 200.000, ambos rodando uma média de 1.500 km por mês. As premissas consideradas estão nesta planilha.

De forma bem simples, a vantagem no custo fixo é do carro usado e no custo variável, do híbrido zero. Na soma, vantagem do carro usado – porque os custos fixos têm peso muito alto. É óbvio que, quanto mais se roda, mais se dilui o custo fixo, mas só perto de 5 mil quilômetros mensais a vantagem financeira pende para o lado do SUV híbrido.

Assim, do ponto de vista puramente financeiro, apenas em casos muito raros esta troca de um usado flex de R$ 100 mil por um híbrido zero de R$ 200 mil valeria a pena.

Muitos consumidores estão migrando para carros elétricos e híbridos pela sua maior economia; mas vale mesmo a pena? Foto: Adobe Estoque

Mas aí entra o mais importante – e surpreendente: apesar de muitos acharem que a compra do carro é uma decisão racional, não costuma ser. É uma decisão altamente emocional.

Confessemos: a sensação de ter um carro novo (melhor que o do vizinho) é um prazer universal. E, no momento atual, há outro fator: carros novos vêm com um pacote de tecnologia embarcada que traz comodidades que eram incomuns há poucos anos (como o ADAS, que permite, entre outros, que o carro siga o fluxo do anda-e-para de um congestionamento pesado de forma autônoma). E os motores elétricos, com seu torque instantâneo, têm respostas muito rápidas ao acelerador, o que traz um desempenho quase esportivo a carros que antes eram relativamente lentos.

São fatores que influenciam subjetivamente no prazer de ter e dirigir este tipo de carro, e, como dizia aquele famoso comercial: isto não tem preço. E, em São Paulo capital, um fator adicional: carros híbridos e elétricos não têm restrição para rodar em horário do rodízio municipal.

De qualquer maneira, vale repetir o alerta: aquilo que à primeira vista parece ser um grande negócio do ponto de vista financeiro (racional), não necessariamente o é. Estimar custos reais do automóvel com precisão costuma ser bastante difícil e geralmente obtemos números incompletos e subdimensionados – o que favorece as decisões emocionais.

Devido às variáveis difíceis de generalizar (principalmente o custo de manutenção e a desvalorização) eu disponibilizo este link uma planilha que permite que você insira seus valores de experiência e premissas iniciais para fazer seus cálculos e comparativos customizados.

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