Moraes concede liberdade provisória a ex-prefeito de Belford Roxo preso com fuzil da PM em casa

Moraes concede liberdade provisória a ex-prefeito de Belford Roxo preso com fuzil da PM em casa

BRASÍLIA – O ministro Alexandre de Moraesdo Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liberdade provisória ao ex-prefeito de Belford Roxo (RJ) Márcio Canella (União Brasil), preso em flagrante na última terça-feira7, por possuir em sua residência um fuzil de uso restrito da Polícia Militar do Rio.

Presidente do União Brasil no Estado do Rio de Janeiro, Márcio Canella (cujo nome civil é Márcio Correia de Oliveira) foi prefeito de Belford Roxo de 2025 a abril de 2026. Ele renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições deste ano. A ex-vereadora Rogéria Bolsonaro (PL-RJ), mãe do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi anunciada como primeira suplente na chapa de Canella.

Moraes atendeu ao pedido da defesa de Canella, pela liberdade provisória, mas estabeleceu o cumprimento de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, obrigatoriedade de permanecer em casa no período noturno, entrega de passaporte e impossibilidade de se ausentar da cidade onde mora.

Márcio Canella foi prefeito de Belford Roxo de 2025 a abril de 2026 Foto: Alerj

Canella foi pega durante um Operação Unha e Carneque investiga uma quadrilha suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro do crime organizado.

Durante as buscas em sua residência, a PF encontrou um fuzil de uso restrito da Polícia Militar dentro de um dos veículos do ex-prefeito. A arma pertencia ao policial Alexandre Paixão da Silva Júnior, que fazia segurança para o ex-prefeito, e também foi preso.

Além do fuzil encontrado no veículo de Canella, a PF apreendeu, em endereços ligados ao ex-prefeito, dois revólveres, uma pistola, 13 carregadores, munições e relógios de luxo.

Segundo um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo movimentou R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Entre os alvos também estão o ex-secretário de Polícia Civil do Rio Marcus Amim.

Ao todo, policiais federais cumpriram 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas aos investigados.

De acordo com a PF, os alvos da sexta fase da Operação Unha e Carne poderão responder pelos crimes de organização criminosa, contratação direta ilegal, lavagem de dinheiro e outros delitos que vierem a ser identificados ao longo da investigação.

Esclarecimento sobre a arma

Moraes também determinou que a Polícia Militar do Rio de Janeiro explique por que a arma de uso restrito foi encontrada na residência do ex-prefeito. A defesa alega que o PM fazia a segurança de Canella, mas Moraes indaga sobre o uso e a justificativa do armamento.

“O encontro das armas se deu no cumprimento de medidas de busca e apreensão em procedimento relacionado à existência de organização criminosa e enseja a devida investigação, inclusive para comprovar a alegação de ambos os presos em flagrante delito”, afirmou o ministro.

“Essas dúvidas não foram sanadas pela Defesa até o presente momento, justificando a manutenção da prisão em flagrante delito na audiência de custódia e deverão ser resolvidas com as necessárias informações que deverão ser prestadas pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro”, completou.

Ainda assim, o ministro entendeu que era preciso compatibilizar a Justiça Penal com o direito de liberdade e determinou a liberdade provisória ao ex-prefeito e ao PM.

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