Salta aos olhos que a candidatura de Flávio Bolsonaro está fazendo água. A grande questão é se poderá vir a afundar a tempo de permitir que o eleitorado de centro-direita ainda consiga escapar das garras do bolsonarismo e evitar mais quatro anos de desastroso populismo lulopetista.
É bem possível que não haja mais tempo para tanto. E é aqui que um novo festival de autoengano entra em cena. Já não falta agora quem teima em se engajar no contorcionismo de tentar vislumbrar cenários róseos para um derradeiro governo Lula.
O apoio a Flávio Bolsonaro parece cada dia mais dilacerado pela cizânia. Não bastassem as desavenças escancaradas de Michelle com o enteado, o que agora se vê é a abertura de virulenta dissidência nas hostes bolsonaristas contra a forma como a campanha presidencial vem sendo conduzida pelo senador Rogério Marinho.

Sob Lula 3, voltou a deslanchar o velho esquema de Dilma Rousseff de expansão desabalada de crédito turbinado por transferências do Tesouro Nacional a bancos públicos Foto: Wilton Junior/Estadão
Não há sinais de que os extensos telhados de vidro de Flávio Bolsonaro deixarão de assombrá-lo. O candidato já não sabe mais o que alegar para se desvencilhar das suspeitas que continuam a cercar seu envolvimento com Daniel Vorcaro. E permanece insone com o risco de que sejam divulgados vídeos que poderão vir a ter efeitos devastadores sobre sua candidatura.
Nada evidencia tão bem a fragilidade de Flávio Bolsonaro como seu empenho em extrair de seu pai novo e patético bilhete para atestar que, oito meses após ser lançado candidato, ele continua sendo o único e legítimo representante de Jair. Mais frágil que isso, difícil.
É trivial constatar que, à medida que a candidatura de Flávio afunda, a reeleição de Lula da Silva vem se tornando mais provável. O que espanta, contudo, é o irrefreável apego ao autoengano dos que, agora, tentam fazer crer que, uma vez reeleito, o presidente estará pronto a deixar de lado o populismo desenfreado do Lula 3 para se consagrar como o estadista do Lula 4.
Tendo promovido uma expansão de endividamento público que deverá alcançar nada menos do que 12% do PIB num único mandato presidencial, Lula continua inarredável em sua convicção de que governar é promover a qualquer custo infindável distribuição de benesses a seus eleitores. Voltou a deslanchar agora o velho esquema de Dilma Rousseff de expansão desabalada de crédito turbinado por transferências do Tesouro Nacional a bancos públicos.
Pois o que agora andam alardeando é que toda essa irresponsabilidade populista desaparecerá como por encanto, em 31 de dezembro, caso Lula conquiste um quarto mandato, na flor dos seus 81 anos.