Humanidade volta à Lua depois de mais de 50 anos
Missão tripulada vai orbitar o satélite, abrindo caminho para um futuro pouso. Crédito: NASA
CAPE CANAVERAL, Flórida (AP) — A Nasa anunciou nesta terça-feira, 3, que agora planeja lançar seu novo foguete para a Lua em março, após encontrar vazamentos de combustível durante um teste decisivo realizado na segunda, 2.
A agência espacial norte-americana disse em um comunicado que o adiamento do lançamento “permitirá que as equipes revisem os dados e realizem um segundo ensaio geral” antes do teste de voo.

Lua brilha sobre o Sistema de Lançamento Espacial da Nasa nas primeiras horas do domingo, 1º de fevereiro de 2026, no Centro Espacial Kennedy Foto: Sam Lott/Nasa/AP
Os vazamentos — que lembram o atraso na estreia do foguete há três anos — ocorreram poucas horas após o início da operação de abastecimento de combustível, que durou um dia inteiro, na segunda-feira, no Centro Espacial Kennedy, e colocaram em dúvida a data de decolagem dos astronautas.
A Nasa informou que os quatro astronautas designados para o voo serão retirados da quarentena de quase duas semanas. A agência acrescentou que eles entrarão em quarentena novamente “cerca de duas semanas” antes da próxima janela de lançamento para a viagem ao redor da Lua.
O órgão não deu nenhuma indicação de uma meta oficial de lançamento em março, dizendo que as equipes precisam primeiro “revisar completamente os dados do teste, mitigar cada problema e retornar aos testes”.
Antes do adiamento de terça-feira, o mais cedo que a Nasa poderia ter lançado o comandante Reid Wiseman e sua tripulação à Lua era no domingo, 8.

Como foi o vazamento de combustível
Os controladores de lançamento começaram a carregar o foguete de 98 metros com hidrogênio e oxigênio superfrios ao meio-dia de segunda-feira. Mais de 2,6 milhões de litros tiveram que fluir para os tanques e permanecer a bordo por várias horas, imitando os estágios finais de uma contagem regressiva real, mas o hidrogênio em excesso se acumulou rapidamente perto da parte inferior do foguete.
O carregamento de hidrogênio foi interrompido pelo menos duas vezes, enquanto a equipe de lançamento se esforçava para resolver o problema usando técnicas desenvolvidas durante a contagem regressiva anterior do Sistema de Lançamento Espacial em 2022. Esse primeiro voo de teste foi atormentado por vazamentos de hidrogênio antes de finalmente decolar sem tripulação.

Sistema de Lançamento Espacial da Nasa no Centro Espacial Kennedy Foto: John Raoux/AP
A Nasa também observou em seu comunicado que ocorreram atrasos nas operações de encerramento durante o teste, bem como problemas recorrentes de queda de áudio nas comunicações da equipe de solo.
Os quatro astronautas designados para a missão — três americanos e um canadense — monitoraram o ensaio geral crítico a quase 1.600 quilômetros de distância, em Houston, sede do Johnson Space Center.
A agência espacial tem apenas alguns dias em cada mês para lançar o foguete, e o frio extremo já havia encurtado a janela de lançamento de fevereiro em dois dias.
Atrasados devido à forte onda de frio, os relógios de contagem regressiva começaram a funcionar na noite de sábado, dando aos controladores de lançamento a chance de passar por todos os movimentos e lidar com quaisquer problemas remanescentes do foguete. Os relógios foram programados para parar meio minuto antes de chegar a zero, pouco antes da ignição do motor.
Como será a viagem
A missão de quase 10 dias levará os astronautas além da Lua, ao redor do misterioso lado oculto e, em seguida, de volta à Terra, com o objetivo de testar o suporte de vida da cápsula e outros sistemas vitais.
A tripulação não entrará na órbita lunar nem tentará pousar. A Nasa enviou astronautas à Lua pela última vez durante o programa Apollo nas décadas de 1960 e 1970. O novo programa Artemis visa uma presença lunar mais sustentada, com a tripulação de Wiseman preparando o terreno para futuras aterrissagens na Lua por outros astronautas.
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