Ó Instituto Baccarelli é o novo gestor do Teatro Municipal de São Paulo. A entidade será responsável pela programação, pelos grupos artísticos da casa e pelo complexo da Praça das Artes pelos próximos cinco anos, em um contrato de gestão que prevê um orçamento global de cerca de R$ 663 milhões. O diretor teatral Jorge Takla será o novo diretor artístico.
O teatro foi gerido nos últimos cinco anos pela Sustentadoem um contrato que se encerra no dia 1.º de junho. A organização social também concorreu ao edital que selecionou a nova gestora, mas ficou em segundo lugar no parecer da comissão de seleção, divulgado no início de maio.
A Sustenidos entrou com recurso pedindo revisão das notas, que foi aceito em parte pela comissão. A mudança nas notas, no entanto, não foi suficiente para mudar o resultado – antes da revisão, Baccarelli alcançou 75,5 e Sustenidos, 57,5; notas finais foram 73 e 62,5, respectivamente.

Vista aérea do Theatro Municipal de São Paulo, na Praça Ramos de Azevedo Foto: Tiago Queiroz/Estadão
A gestão do Municipal é feita pelo modelo de organizações sociais, no qual uma entidade da sociedade civil assume por intermédio de um contrato de gestão assinado com a Prefeitura e fiscalizado pela Fundação Teatro Municipal. A escolha da OS é feita a cada cinco anos.
O Instituto Baccarelli foi criado em 1996 e desenvolve um trabalho de formação musical e inclusão social na comunidade de Heliópolis, além de realizar a gestão de 12 unidades dos CEUs, os Centros Educacionais Unificados que fazem parte do sistema educacional da Prefeitura de São Paulo.
Processo foi marcado por polêmicas
O atual processo passou por percalços. Em setembro do ano passado, o prefeito Ricardo Nunes pediu a rescisão do contrato com a Sustenidos após a entidade se recusar a demitir um funcionário que criticou o ativista político conservador Charlie Kirk nas redes sociais. A rescisão, no entanto, não aconteceu – e foi lançado o edital de chamamento já previsto para a escolha de uma nova OS.
O modelo de edital incomodou parte dos artistas da casa, que viam risco de demissões e de esvaziamento das atividades dos corpos estáveis, como a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico Municipal. A proposta de edital foi alterada, incorporando algumas das questões levantadas pelos artistas.
Ainda assim, em dezembro, a fundação suspendeu o processo de chamamento atendendo a recomendação do Tribunal de Contas do Município, que identificou problemas no edital, como “a ausência de fundamentação para o valor estimado para execução do contrato” e “critérios de julgamento pouco objetivos e metodologicamente inconsistentes, que levariam ao risco de subjetividade na avaliação”, assim como a “redução expressiva das metas artísticas sem justificativa técnica”. Após novas revisões no edital, o processo de chamamento foi retomado.
Takla assume comando artístico
O nome de Jorge Takla como diretor artístico, que vinha sendo comentado no meio musical, foi confirmado em publicações feitas pelo Baccarelli em postagens em suas redes sociais comemorando a vitória no edital.
Um dos principais encenadores em atividade no Brasil, Takla tem como parte central de seu trabalho musicais e óperas. Sua última produção no Municipal foi da ópera Carmemde Bizet, que subiu ao palco em maio de 2024.