Ronaldo Caiado confirma Kassab como vice na chapa presidencial
Anúncio foi feito em Brasília nesta quarta-feira e ainda precisa ser confirmada em convenção partidária.
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), intensificou críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aumentando em 446,3% as menções ao seu nome nas redes sociais. A estratégia, entre 6 e 11 de julho, visou disputar a liderança da direita, comparando Flávio a um ‘peru de Natal’. Apesar de críticas bolsonaristas, Caiado manteve resiliência e ampliou diálogo com eleitores moderados. O anúncio de Gilberto Kassab como vice reforçou sua relevância política, segundo Sergio Denicoli, CEO da AP Exata.
A estratégia do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) de subir o tom contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o volume de menções ao seu nome nas redes sociais crescer 446,3% na média dos últimos cinco dias. É o que mostra levantamento da AP Exata obtido com exclusividade pelo Estadão. Segundo a consultoria, o aumento da exposição do pré-candidato do PSD não foi acompanhado por crescimento proporcional das menções negativas.
“O eleitor não quer um presidente que precise de aval constante de outra liderança; quer alguém capaz de conduzir o país por conta própria”, escreveu Caiado, afirmando ainda que “liderança não se herda, se demonstra”.
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A mudança de postura, que contrasta com a cautela adotada pelo ex-governador goiano diante das revelações sobre a relação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, levou a um salto na visibilidade do pré-candidato do PSD, que tem o baixo nível de conhecimento como uma das principais barreiras à sua candidatura.
No domingo, 12, segundo dados da AP Exata, Caiado foi o segundo nome mais citado nas redes entre os presidenciáveis, com 26,2% do volume de menções, atrás apenas de Lula, com 34,3%, e à frente de Flávio, que registrou 25,6%. O ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) apareceu com 4,8% e Renan Santos, da Missão, com 4,7%.
Na média dos últimos cinco dias, o volume de menções a Caiado cresceu 446,3%, passando de 2,85% para 15,57%. No mesmo período, a taxa de menções positivas recuou apenas 4,9 pontos porcentuais, para 45,7%.
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“A redução é pequena diante do crescimento da exposição, uma vez que as menções negativas aumentaram em proporção muito inferior ao volume total, indicando resiliência da imagem, mesmo sob maior exposição”, diz Sergio Denicoli, CEO da AP Exata e cientista de dados. “O avanço mostra que Caiado conseguiu furar a polarização, multiplicar sua exposição, sem sofrer desgaste proporcional. Mostra também que ele tem iniciado um processo de diálogo maior com públicos do centro e também com eleitores mais moderados da direita“, acrescenta o especialista.
Segundo Denicoli, o crescimento de Caiado nas redes está diretamente ligado à estratégia, adotada entre os dias 6 e 11 de julho, de intensificar os ataques a Flávio e disputar de forma mais direta a liderança da direita. Um dos episódios de maior repercussão, afirma, foi a declaração em que o ex-governador comparou o senador a um “peru de Natal” que Lula estaria mantendo vivo no primeiro turno para derrotar no segundo.
Segundo o cientista de dados, a ofensiva de Caiado contra Flávio desencadeou uma reação bolsonarista nas redes, com militantes criticando principalmente a escolha do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como seu vice, o que seria uma demonstração de adesão ao Centrão e distanciamento da direita “raiz”.

Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República Foto: Wilton Junior/Estadão
“O efeito, porém, tem sido limitado porque essa narrativa permanece concentrada na base mais fiel a Flávio, enquanto Caiado também é mencionado por conservadores insatisfeitos com o bolsonarismo, por perfis que o apresentam como alternativa mais competitiva e por governistas interessados em repercutir suas críticas à família Bolsonaro”, afirma Denicoli.
O CEO da AP Exata diz ainda que o anúncio de Kassab como vice aumentou a relevância política da candidatura e ajudou a manter Caiado no centro da disputa presidencial nas redes. Na avaliação dele, a rejeição ao dirigente partidário está mais restrita à bolha bolsonarista, sem grande apelo entre o público geral.