China envia neste domingo astronauta ao espaço por um ano em corrida rumo à Lua até 2030

China envia neste domingo astronauta ao espaço por um ano em corrida rumo à Lua até 2030

UM China lança neste domingo, 24, a missão Shenzhou-23, na qual um astronauta permanecerá pela primeira vez um ano inteiro no espaço, uma etapa crucial na ambição do país de enviar humanos à Lua até 2030.

Graças a investimentos maciços, o gigante asiático ampliou fortemente seu programa espacial e agora compete com os Estados Unidos e o programa Artemis na corrida para voltar a pisar no satélite natural da Terra.

O lançamento está previsto para 12h08 no horário de Brasília, quando o foguete Longa Marcha 2F decolará do centro espacial de Jiuquan, localizado no deserto de Gobi, no noroeste do país.

Pequim espera construir até 2035 o primeiro segmento de uma base científica habitada na Lua, chamada Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS) Foto: Pedro Pardo/PEDRO PARDO

O foguete levará a nave Shenzhou e seus três tripulantes até a estação espacial Tiangong, que significa “Palácio Celestial” em chinês, onde um deles deverá permanecer por um ano completo.

A missão permitirá estudar os efeitos de uma longa permanência em microgravidade, algo considerado indispensável para futuras missões à Lua e até mesmo a Marte.

A missão também marcará o primeiro voo espacial de um astronauta originário de Hong Kong. Li Jiaying, de 43 anos, trabalhou anteriormente na polícia do território semiautônomo chinês.

Os outros integrantes da tripulação são o comandante Zhu Yangzhu, engenheiro espacial de 39 anos, e Zhang Zhiyuan, ex-piloto da força aérea chinesa, também de 39 anos, que viajará ao espaço pela primeira vez.

Além da permanência de um ano em órbita, os tripulantes realizarão diversos experimentos ligados às ciências da vida, ciência dos materiais, física dos fluidos e medicina.

Atrofia muscular, radiação e fadiga

A escolha do astronauta que permanecerá um ano em órbita será feita posteriormente, de acordo com a evolução da missão Shenzhou-23, informou no sábado, 23, um representante da agência espacial chinesa responsável pelos voos tripulados.

Os “principais desafios” serão “os efeitos sobre o corpo humano”, como “perda de densidade óssea, atrofia muscular, exposição à radiação, alterações no sono e fadiga comportamental e psicológica”, explicou Richard de Grijs, astrofísico e professor da Escola de Ciências Matemáticas e Físicas da Universidade Macquarie, na Austrália.

Ele também destacou a importância da confiabilidade dos sistemas de reciclagem de água e ar, além da capacidade de lidar com possíveis emergências médicas longe da Terra.

“A China se tornou muito competente nessas áreas, mas a duração da missão faz diferença. Um ano em órbita coloca os equipamentos e os seres humanos em um regime operacional diferente do das missões Shenzhou mais curtas”, afirmou De Grijs.

Até agora, as tripulações permaneciam seis meses na estação Tiangong antes de serem substituídas.

A China ainda está na fase de desenvolvimento e testes dos equipamentos necessários para enviar astronautas à Lua nesta década.

Para este ano está previsto o voo de teste em órbita da nave Mengzhou, ou “Nave dos Sonhos”, que substituirá as cápsulas Shenzhou em futuras missões tripuladas à Lua.

Pequim espera construir até 2035 o primeiro segmento de uma base científica habitada na Lua, chamada Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS).

O gigante asiático investiu bilhões de dólares nas últimas três décadas para colocar seu programa espacial no mesmo nível dos programas dos Estados Unidos, Rússia e Europa.

Os avanços chineses foram especialmente visíveis na última década.

Em 2019, a China pousou uma sonda no lado oculto da Lua, um feito inédito no mundo. Em 2021, o país também conseguiu colocar um pequeno robô em Marte.

A China está formalmente excluída da Estação Espacial Internacional (ISS) desde 2011, ano em que os Estados Unidos proibiram sua agência espacial, a NASA, de colaborar com Pequim.

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