Marjane Satrapi: 7 obras para conhecer a autora, entre graphic novels e filmes

Marjane Satrapi: 7 obras para conhecer a autora, entre graphic novels e filmes

Filme baseado em graphic novel tem direção da própria autora, Marjane Satrapi. Foto: reprodução/Persépolis. Foto: divisão

Reconhecida pela obra Persépolisuma graphic novel na qual revive a infância em Teerã, no Irãum quadrinista franco-iraniano Marjane Satrapi morreu na manhã desta quinta-feira4, aos 56 anos, deixando um legado de obras que circulam por histórias de resistência.

No histórico literário de Satrapi, com livros disponíveis em português, as narrativas passam por histórias que ela viveu de perto: dela mesma, do tio, da casa da avó; legados de luta, como a história da estudante iraniana Mahsa Amini, morta por violência policial; e filmes que ela dirigiu e também interpretou. Veja a lista de obras para se aproximar do trabalho da autora:

Persépolis

Marjane Satrapi conta sua história de infância no Irã xiita em ‘Persépolis’ Foto: Cia. das Letras/Divulgação

Persépolis (2004) é uma autobiografia em quadrinhos, que reconta a história da infância de Satrapi em Teerã, lutando contra as restrições impostas pela liderança islâmica do Irã após a revolução de 1979, antes de ser enviada para a Europa pelos pais e iniciar uma vida no exílio.

Na trama escrita e ilustrada por ela, Satrapi fala do processo de ser uma criança obrigada a usar o véu islâmico e como as vivências dentro do regime xiita moldaram a consciência política na fase adulta. O livro foi adaptado ao cinema em 2007, em filme que recebeu uma indicação ao Oscar.

Bordados

Marjane Satrapi fala dos desafios femininos durante sessões de bordado na casa da avó Foto: Companhia das Letras

O livro Bordados (2010), também uma graphic novel, revela o íntimo das mulheres iranianas sobre a vida, sexo e casamento diante da opressão. A escrita da Satrapi parte das reuniões de família na casa da avó, em Teerã, onde era de costume das mulheres fazerem sessões de bordados.

As discussões passam por relações afetivas, traições, casamentos arranjados e resistência feminina que, de certa forma, viraram conversa e fofoca entre as mulheres da família na hora do bordado.

Frango com Ameixas

Narrativa de Marjane Satrapi é inspirada no tio artista Foto: Companhia das Letras

Também passando por relatos familiares, em Frango com Ameixas (2008) Satrapi conta, por meio das ilustrações, a história do tio, Nasser Ali, também artista. O romance parte de uma tragédia pessoal vivenciado pelo protagonista, quando a esposa destruiu o tar (instrumento de cordas da tradição persa) que era tão valioso para Ali.

A partir disso, a narrativa se desenrola entre conflitos do artista com a família e com si próprio, em busca de um novo instrumento que fosse parecido com o que ele havia perdido. A trama traz, novamente, a singularidade da família de Satrapi, envolvendo misticismo persa e relações com a cultura ocidental.

Mulher, Vida e Liberdade

Mulher, Vida e Liberdade marcou o retorno de Satrapi aos romances em quadrinhos Foto: Companhia das Letras

Uma das obras mais recentes de Marjane Satrapi, o livro Mulher, Vida e Liberdade (2024) marca a volta dos romances em quadrinhos da autora após vinte anos. A narrativa é baseada na estudante Mahsa Amini, iraniana morta aos 22 anos por violência policial em Teerã, e retrata a luta das mulheres por liberdade.

Mahsa Amini foi detida e espancada até à morte pela polícia religiosa em Teerã, por não usar de maneira correta o hijab. A morte da jovem desencadeou uma série de protestos com o lema “mulher, vida e liberdade”. A narrativa conta com textos de outros autores e estudiosos do caso.

Nas telas

Marjane Satrapi dirigiu e interpretou uma das protagonistas do filme A Gangue dos Jotas (2012). Uma comédia policial que conta a história de um trio que se encontra por acaso no aeroporto após uma confusão com as malas, passam a viajar juntos e acabam se tornando assassinos profissionais.

Satrapi dirigiu e interpretou o filme A Gangue dos Jotas Foto: Reprodução

Com Ryan Reynolds e Anna Kendrick, As Vozes (2014) foi outro filme dirigido por Satrapi. A comédia misturada com suspense mostra um paciente com esquizofrenia que consegue se comunicar com os animais de estimação.

Mais recente, Satrapi dirigiu o filme Radioativo (2019), drama biográfico sobre a pioneira pesquisadora em radioatividade e ganhadora do Prêmio Nobel Marie Curie, estrelado por Rosamund Pike.

Satrapi ‘morreu de amor’

“Marjane Satrapi morreu de tristeza pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida”, afirmou a fonte em comunicado enviado à AFP. Ripa, produtor, ator e roteirista sueco, faleceu em 8 de abril do ano passado.

Marjane Satrapi, autora de ‘Persépolis’, morre ‘de tristeza’ aos 56 anos Foto: Bertrand Guay/BERTRAND GUAY

Após a morte dele, Satrapi fundou a Fundação Cinematográfica Mattias e Marjane Ripa-Satrapi para apoiar estudantes estrangeiros que desejam vir a Paris para estudar cinema.

Desde o falecimento do marido, a página do Instagram de Satrapi consistia quase exclusivamente em uma série de imagens que formavam a frase “Pois perdi o amor da minha vida”, juntamente com uma foto do marido e um anúncio da fundação./Com informações da AFP.

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