PF apura transporte e onde provas do CNU 2024 foram guardadas para identificar origem de fraudes

PF apura transporte e onde provas do CNU 2024 foram guardadas para identificar origem de fraudes

BRASÍLIA – A investigação da Polícia Federal sobre fraudes na aplicação das provas do Concurso Nacional Unificado (CNU) em 2024 e em outros certames busca traçar o caminho do transporte dos cadernos de provas e onde os itens ficaram acondicionados

O foco dessa apuração é saber se houve vazamento a partir do Estado da Paraíba, onde vivem os principais personagens investigados na operação deflagrada na semana passada.

Para levantar esses dados, a PF já oficiou a banca organizadora do concurso, a Fundação Cesgranrio, pedindo quatro informações essenciais: “a) forma de transporte das provas para as cidades e locais de aplicação, principalmente na Paraíba; b) se há ponto focal nas cidades da Paraíba; c) onde as provas ficaram acondicionadas antes da aplicação; d) todo o trajeto das provas, principalmente na Paraíba”.

Procurada, a Cesgranrio afirmou que não pode comentar o assunto por cláusulas de sigilo e confidencialidade com o Ministério da Gestão e Inovação (MGI), contratante do concurso. O MGI disse, em nota, que tem “acompanhado e apoiado” as investigações da PF. “O MGI está cumprindo integralmente todas as determinações judiciais a respeito do caso e aguarda os desdobramentos da operação para adotar, se necessário, novas medidas administrativas cabíveis em relação aos envolvidos”, afirmou.

Os diálogos entre os investigados, extraídos pela Polícia Federal, mostram como eles conseguiram acesso aos cadernos de prova do CNU no início da manhã de 18 de agosto de 2024, dia da aplicação do exame.

O gabarito das respostas seria enviado para um dos investigados, com o objetivo de repassar as respostas para sua filha, que faria o exame naquele dia. Às 6h23, um dos líderes do esquema envia um áudio dando pistas de como ocorreria o vazamento das informações e justificando a demora: o lacre do envelope das provas seria rasgado e fechado novamente por meio de um dos examinadores.

Os líderes do esquema, segundo a PF, seriam o ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa e Thyago José de Andrade.

“Meu amigo, tá abrindo, velho. É porque não chega e rasga o malote, não. Entendeu? Tem que ir com um negocinho para tirar o lacre e fechar de novo, pô. Pensa tá fácil isso aí. Eu não sei como é que essa porra vai sair. Falou comigo que já está terminando de abrir aqui, que eu já perguntei também”, afirmou Thyago em um áudio interceptado.

Às 6h27, as fotos do caderno das provas, que começaria às 9h daquele dia, foram enviadas por Wanderlan para seu irmão. Elas foram imediatamente repassadas para a filha dele, que faria a prova naquele dia. Por volta das 7h50, o grupo enviou as respostas dos gabaritos. Horas depois, às 11h39, eles vazaram também o gabarito do caderno de provas que seria aplicado no período da tarde, a partir das 14h30.

A operação da PF foi deflagrada na última quinta-feira, 2. Wanderlan e Thyago foram alvos de mandados de prisão. O Estadão não localizou a defesa de Wanderlan. A defesa de Thyago não respondeu aos questionamentos.

Operação Última Fase

Como o Estadão mostrou, a Polícia Federal fez na semana passada buscas em 12 endereços na Paraíba, Pernambuco e Alagoas. A Justiça Federal também autorizou o sequestro de bens dos investigados.

Os concursos fraudados foram:

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  • Concurso Público Nacional Unificado de 2024;
  • Polícia Civil de Pernambuco;
  • Polícia Civil de Alagoas;
  • Universidade Federal da Paraíba;
  • Caixa Econômica Federal;
  • Banco do Brasil.

Candidatos aprovados irregularmente foram afastados dos cargos públicos por ordem judicial. Eles podem responder por quatro crimes – fraude em certame de interesse público, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação de documento público.

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