A partir deste final de semana, a atriz, dramaturga e diretora Isabel Teixeira coloca em cena, pela primeira vez, uma peça adaptada de um livro seu: “Elã”, versão teatral de “O livro de linhas”, publicado por sua editora artesanal Fora de Esquadro. Para ela, no entanto, essa é uma obra coletiva, construída em conjunto com a Cia. Mugunzá, durante um processo conjunto entre autora e atores. No palco do Sesc Pompeia, serão costuradas oito histórias de personagens inusitados, como uma pretensa cantora de boate e um vendedor de morangos que tenta a carreira de ator.

Isabel Teixeira dirige peça “Elã” com Cia. Mungunzá. Foto: Colagem de Thais Barroco sobre fotos de Flora Negri, Roberto Setton e Divulgação
Filha do cantor Renato Teixeira, Isabel ficou conhecida em escala nacional quando começou a fazer novelas, perto dos 50 anos, mas tem uma carreira longeva no teatro, com quase quarenta peças e prêmios como Shell e APCA. O currículo vasto também inclui apresentações em teatros europeus, como o Odeon, em Paris. “O que se faz no Brasil é teatro de primeiro mundo”, crava, à Coluna.
“É um trabalho exemplar em termos de conteúdo e de técnica. Mas, infelizmente, é uma técnica que se desenvolve na falta de recursos, que deveriam ser oferecidos por órgãos governamentais, como ocorre em países considerados de primeiro mundo”.
Todo o processo criativo da peça Ele se deu no Teatro de Contêiner, no centro. O espaço é formado por 15 contêineres conectados por paredes de vidro, e gerenciado pela Cia. Mungunzá.
A prefeitura de São Paulo quer desocupar o terreno para uma obra de revitalização, enquanto a companhia defende sua permanência no endereço. O terreno pertence ao Município e está ocupado desde 2016.
O Teatro Contêiner tem recebido apoio de nomes importantes da cultura brasileira, como Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. “Não se pode falar em revitalização do centro da cidade querendo tirar do lugar justamente um espaço de cultura. A cultura faz parte da revitalização de qualquer região, ainda mais um teatro’, defende Isabel. “Tenho muita esperança que isso mude e que um dia a gente realmente possa olhar para esses tesouros nacionais como prioridade”.
Em agosto, a Justiça concedeu uma liminar que garantia a permanência do Teatro de Contêiner por pelo menos seis meses, mas a decisão foi derrubada na quinta-feira, 25, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Agora, a Cia. Mugunzá deve desocupar o espaço do município até dezembro. Em nota enviada à Coluna, a prefeitura de São Paulo afirma que negocia com o teatro há mais de um ano e que, neste período, ofereceu outras opções de terrenos na mesma região para que se estabeleçam.