PARIS – A Federação Francesa de Exportadores de Vinhos e Destilados manifestou nesta quinta-feira, 18, seu apoio ao acordo de livre comércio entre a União Europeia e os países do Mercosulque poderia beneficiar um setor vitivinícola em dificuldades, em uma iniciativa pouco comum em meio a protestos de agricultores.
Em um comunicado, a federação expressou “seu interesse e apoio à assinatura de um acordo comercial equilibrado entre a União Europeia e o Mercosul”. A federação considera “indispensável abrir novos mercados” e vê no Mercosul “uma oportunidade estratégica de primeira ordem” para um setor em crise. Da mesma forma, celebra “o mecanismo de salvaguarda” adotado nesta semana como compromisso em Bruxelas, que “constitui um avanço substancial”.

Agricultores protestam contra acordo com Mercosul em Paris Foto: Michael Euler/AP
Este mecanismo destina-se a garantir o acompanhamento dos produtos agrícolas sensíveis e inclui a promessa de intervir em caso de desestabilização dos mercados. O seu objetivo é tranquilizar os setores agrícolas que se sentem ameaçados pelo acordo (como carne e açúcar). No entanto, outros setores, como o dos vinhos e bebidas destiladas ou de produtos lácteos, poderiam se beneficiar do acordo.
A posição da federação é, no entanto, dissonante num debate em que a maioria dos atores agrícolas reclamam do acordo, num momento em que os chefes de Estado e de governo dos 27 países da UE se reúnem em Bruxelas. Milhares de agricultores europeus saíram às ruas nesta quinta-feira na capital europeia para protestar contra o acordo.
A federação, que representa um setor com um faturamento superior a € 32 bilhões (US$ 37,546 bilhões), dos quais metade provém da exportação, vê no Mercosul uma alavanca para compensar a queda nas vendas na França e no exterior.
Após uma queda de 12% em 2023 e de 6,5% em 2024, as exportações francesas recuaram novamente 7,5% nos primeiros quatro meses de 2025, num contexto de litígios com a China e os Estados Unidos, seus principais mercados externos.
O tratado prevê a eliminação das tarifas sobre vinhos e bebidas destiladas, atualmente entre 20% e 27%. A redução é considerada crucial para impulsionar as exportações para o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai./AFP