O Texas é um Brasil que deu certo? O Estado americano que cresce como potência latina

O Texas é um Brasil que deu certo? O Estado americano que cresce como potência latina

O que é o que é? Líder na pecuária, exportador de commodities, que passa boa parte do ano sob calor escorchante e tem uma classe dirigente famosamente corrupta? É a região da América Latina que mais cresce: o Texas.

A economia texana exporta mais do que toda a economia brasileira. É claro que é uma provocação colocar o Estado americano dentro da América Latina, mas os latinos são 40% da sua população e chegam a 50% em metrópoles como Houston.

É uma população maior do que a do Paraguai ou ou a do Uruguai que prospera como em nenhum outro lugar do nosso continente. De um lado, a constatação do Texas como uma economia latina me ajuda a descartar preconceitos sobre cultura, o fatalismo de que nada pode dar certo por aqui porque haveria ruim e inexorável em nossa capacidade. De outro, o sucesso da região, especialmente o dos últimos anos, faz pensar se ele pode ser replicado no resto do continente.

Não sou só eu que está olhando para o Texas atrás de lições: a esquerda americana, por exemplo, está. Governado há décadas pelos republicanos, foi para lá que muitos migraram da Califórnia ou de Nova York, governados por democratas, atraídos por boas oportunidades com custo de vida baixo.

Essa esquerda fala sobre a “agenda da abundância”, espécie de mea culpa sobre os excessos em áreas como meio ambiente e urbanismo que têm travado o crescimento. A mentalidade anti-Estado do Texas talvez o tenha livrado do problema.

Apesar do baixo investimento em educação, desenvolveu-se em indústrias tecnológicas e, nos serviços, é um hub importante da saúde. Está recebendo empresas como a Tesla e a Apple. A mão dura na segurança pública pode parecer exagerada, mas ao fim e ao cabo, a violência parece pior em regiões mais ricas dos EUA que nem têm o ônus de fazer fronteira com a América Central, provavelmente a área mais violenta do planeta.

Déficits são constitucionalmente proibidos no Texas. Nenhuma política pública pode durar mais de 12 anos. Não há imposto de renda.

Irritado com o que via como invasão de competências pela capital federal, especialmente por agentes “não eleitos”, o governador lançou um “plano Texas” para reformar a constituição americana. As propostas incluem a preponderância de leis estaduais sobre normas federais que não tenham vindo do Congresso (como as de agências reguladoras); a derrubada de decisões da Suprema Corte por dois terços dos Estados; e um quórum qualificado e elevado para a Corte declarar leis inconstitucionais. Não há nada parecido no nosso debate.

Já não é mais controverso dizer que o pacto de 88 limitou nosso crescimento. O Texas é um Brasil que deu certo?

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