Alguns economistas vêm alertando para um risco de alta nas suas estimativas para o crescimento do PIB em 2026, diante não só de medidas já adotadas pelo governo Lula para estimular o consumo e o créditomas também de propostas que estão em discussão para dar um novo gás à economia no ano da eleição presidencial. Isso porque somente algumas das medidas foram levadas em conta nessas projeções para o ano que vem.
Mas haverá mesmo uma revisão para cima em algum momento? Após ficar parada por cinco semanas, a mediana das estimativas para o desempenho do PIB em 2026, na pesquisa Focus, recuou de uma expansão de 1,8% para 1,78%.
Se há, de fato, um risco de alta nas projeções, é possível dizer que essa previsão de analistas está atrasada? E, levando em conta todo o estímulo adotado e em discussão, é provável que o crescimento da economia possa ficar mais próximo de 2% do que abaixo de 1,78%? Não necessariamente.

Dependendo do estresse, o PIB de 2026 poderá ficar mais perto das projeções pessimistas e tornar ainda mais difícil o trabalho do BC Foto: Dida Sampaio/Estadão
Das medidas cujo impacto o mercado já tem embutido nas projeções de PIB em 2026, a principal é a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Outras medidas, especialmente as que dão um estímulo à expansão do crédito, são mais complexas para calcular seu efeito integral na atividade econômica como um todo. Um exemplo disso é o novo modelo de crédito imobiliárioque reduzirá, já em 2026, de 20% para 15% o porcentual do recolhimento compulsório ao Banco Central sobre os depósitos da caderneta de poupança, liberando mais dinheiro para financiamento da casa própria.
Não há também um consenso sobre o impacto final de outras iniciativas do governo para estimular o consumo, como o crédito consignado privado, o programa de crédito para reformas de casas, a tarifa social de energia elétrica para famílias de baixa renda e o programa Gás do Povo.
Em relatório recente, os economistas da XP Investimentos estimam que as medidas anunciadas e discutidas no governo podem adicionar mais de 1 ponto porcentual ao PIB de 2026. A projeção deles é de um crescimento de 1,7% no ano que vem, com viés de alta.
O problema é que sempre há o outro lado da moeda nas medidas para liberar renda à população, via redução de impostos ou subsídios ao crédito. Esses estímulos poderão ser neutralizados, em parte, por um aperto nas condições financeiras caso haja um estresse do mercado com a expansão dos gastos públicos em ano eleitoral, pressionando a inflação e impedindo o BC de cortar os juros em ritmo mais acelerado. Dependendo do estresse, o PIB de 2026 poderá ficar mais perto das projeções pessimistas.