CEO da Latam atribui ganho de mercado a momento ‘saudável’, com expansão de rotas e frota

CEO da Latam atribui ganho de mercado a momento 'saudável', com expansão de rotas e frota

A Latam anunciou na última semana que atingiu em agosto a maior participação doméstica da sua operação brasileira nos últimos 12 anos: 41,4%. “O ganho de Quota de mercado não é o objetivo final, mas sim consequência de um trabalho bem feito”, afirmou o CEO da Latam no País, Jerome Cadier. O executivo avalia que a empresa vive um momento “muito saudável” após se antecipar em relação às concorrentes e “puxar a fila” de recuperações judiciais do setor. “A Latam saiu fortalecida da pandemia, com reestruturação profunda, saúde financeira e operacional. Hoje estamos expandindo rotas, frota e contratações”, disse Cadier.

Em 2020, durante a crise sanitária, a aérea foi a primeira entre as companhias do País a entrar em Chapter 11, processo equivalente à recuperação judicial nos Estados Unidos. O processo foi finalizado em 2022. Dois anos depois, foi a vez da Gol, seguida pela Azul em 2025. “Fizemos a reestruturação no momento certo, priorizando profundidade e qualidade, mais do que velocidade”.

O CEO destaca que a Latam saiu do processo com uma dívida 40% menor e custo operacional “significativamente mais baixo que o das concorrentes”. “Isso nos permite operar rotas de forma mais rentável e reinvestir no crescimento”, disse.

Companhia cobre mais destinos

Antes da pandemia a Latam operava 44 destinos domésticos, enquanto planeja encerrar o ano com 59. A expectativa é que o número cresça mais após a aérea anunciar a primeira compra de aeronaves da Embraer.

O pedido, anunciado na semana passada, prevê 24 entregas firmes e 50 opções de compra de aviões do modelo E195-E2. De olho nessa expansão, a Latam inaugurou o hangar 9 para expandir seu centro manutenção, o maior da América do Sul, localizado em São Carlos (SP).

O investimento de R$ 40 milhões destinado ao projeto é o maior aporte da companhia em seu complexo no interior paulista em dez anos.

Fundo Nacional de Aviação Civil

Diante do bom momento, o executivo não vê uma necessidade imediata de financiamento, inclusive vindo do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac). O instrumento será usado de forma permanente como fonte de financiamento para as aéreas.

Para este ano estão previstos R$ 4 bilhões, que ainda dependem da finalização de regras burocráticas por parte do Conselho Monetário Nacional (CMN). Cadier diz que a companhia irá aguardar as definições do tsrâmites antes de tomar uma decisão sobre acessar ou não o fundo. “Se as condições forem atrativas para todas as companhias, podemos avaliar”, afirmou. “Não adianta oferecer as mesmas taxas para empresas com riscos diferentes”, acrescentou.

Para o CEO da Latam Brasil, apesar do Fnac ter potencial para cumprir um papel relevante, deveria ter sido disponibilizado antes, principalmente na época da pandemia. “Vemos o fundo como uma alavanca relevante para o setor, mas o tempo não é o ideal. Teria sido melhor em 2020 do que agora”.

Azul e Gol

O fim das negociações sobre uma fusão entre Azul e Gol não pegou de surpresa o CEO da Latam. Para o executivo, a combinação reduziria o número de aéreas no Brasil, enquanto a aviação do País tem espaço para mais operadores. “O mercado brasileiro comporta três empresas ou até mais, mas não menos do que isso”, avalia. “Do ponto de vista mercadológico, eu não via muito o racional para uma consolidação desse tamanho”, acrescenta.

Sobre o que pode ter motivado o encerramento das negociações, Cadier diz que cabe às próprias empresas envolvidas. “Não me surpreendeu, mas eu tenho pouca ideia do que se passou, tanto no que estava por trás quando a ideia nasceu, quanto quando ela morreu”, finaliza.

Esta notícia foi publicada no Transmissão+ no dia 29/09/2025, às 08:00

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