Botafogo x Palmeiras: calendário da CBF esvazia ‘final’ das últimas duas edições do Brasileirão

Botafogo x Palmeiras: calendário da CBF esvazia ‘final’ das últimas duas edições do Brasileirão

Onde assistir aos jogos da 20ª rodada do Brasileirão?

Returno do Brasileirão começa: veja quem transmite cada partida. Crédito: João Abel/Estadão (voz e edição)

“Em benefício dos grandes clubes, devemos fazer um Campeonato Brasileiro com 20 clubes. Não tem como continuar por tantos meses os estaduais. Mesmo Em São Paulo, a média é de cinco mil pessoas por jogo. Não tem como pagar os salários de grandes atletas com essa receita. Temos que racionalizar o Brasileirão e os estaduais. Se isso não acontecer, a culpa será dos próprios clubes e das federações”.

Giulite Coutinho, presidente da CBF, na revista Placar. Em agosto de 1985…

A proposta de calendário de um Brasileirão com apenas 20 clubes, e sem os grandes disputando os estaduais, havia sido feita pelo cartola, em 1984. O radicalismo da ausência dos 12 grandes nos torneios estaduais não ajudou a proposta (então) ousada a dar jogo. Se Giulite tivesse negociado melhor, diminuindo apenas a participação dos 12 grandes em estaduais mais curtos e rentáveis, talvez tivéssemos um futebol melhor hoje. Ou nos últimos 40 anos.

Um premente calendário atrelado ao europeu, para evitar a sangria desatada dos elencos brasileiros no meio do Nacional, ajudaria. Mas com tantos jogos para tão pouco futebol numa temporada em que não tem cabimento tantos torneios, ainda assim seria difícil evitar o que teremos hoje, no Rio: o campeão brasileiro e da Libertadores de 2024 enfrentando o campeão brasileiro de 2022-23 com escalações alternativas. Pela viagem que terá ao Equador para tentar o bicampeonato sul-americano, o Botafogo deve fazer um necessário rodízio de carnes s músculos. Contra um rival que voltou do Peru com a classificação encaminhada, mas que pode ser obrigado a também poupar gente para evitar que estourem corpos pelo desgaste de jogos e viagens do Palmeiras.

Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil (e, no caso de ambos, também a Copa do Mundo de Clubes) cobram a conta. E o modo de gerir a energia causa outros desconfortos e apagões em campo, nas tribunas da imprensa, e nas arquibancadas inclementes e impacientes. O debate acaba caindo no baixo nível do “eles ganham muito bem para fazer mimimi”. Ou “difícil é quebrar pedra cinco da manhã”, simplismos do tipo. Em vez de questionar e racionalizar o porquê de se dar menos bola ao principal campeonato no país, jogamos craques e bagres aos abutres que não entendem que o descanso é essencial a tudo. Que o excesso estressa. Que os extremos estremecem relações.

Ou diminuímos compromissos, ou inventamos um mês a mais no ano: quem topa a criação do onzembro? Ou a jornada 7×1?

Botão do nariz!

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