À Coluna, os ginecologistas Maria da Penha Barbato e Igor Padovesi, autor do livro Menopausa Sem Medoexplicam que o estudo tinha problemas de interpretação – a maioria das pacientes já estava na menopausa havia mais de dez anos e tinha comorbidades que aumentavam os riscos. Membros da FDA foram a público dizer que esse estudo é um dos maiores erros da medicina moderna, considerando o número de mulheres que foram privadas da reposição hormonal, por causa da informação equivocada.
Por enquanto, a revisão é válida apenas nos EUA. Mas para o ginecologista Igor Padovesi, a decisão pode abrir um precedente em outros países, como o Brasil: “Por aqui, a maioria dos medicamentos para reposição hormonal não leva tarja preta, mas até hoje reverbera o medo e a desinformação causados pelo estudo, o que impede o acesso de muitas mulheres a um tratamento comprovadamente benéfico, associado a maior qualidade de vida e longevidade”, disse à Coluna. “Hoje é consenso que a terapia hormonal traz muito mais benefícios do que riscos, que são ínfimos para a maioria das mulheres”, completa.
Já para a ginecologista Maria da Penha Barbato, até duas ou três décadas atrás, a menopausa era um tabu e as mulheres não queriam falar sobre o assunto, porque era sinônimo de envelhecimento e de ser colocada à parte da sociedade. Com o aumento de mulheres atuantes no mercado de trabalho e enfrentando sintomas como instabilidade emocional e perda de sono no auge da carreira, o assunto foi ganhando espaço.