Capacete que chama o Samu, app antiqueda de idoso: veja projetos de alunos do ensino médio

Capacete que chama o Samu, app antiqueda de idoso: veja projetos de alunos do ensino médio

De capacete que chama o SAMU à arara falante, conheça projetos de alunos de SP

O Estadão foi até a Feira Tecnológica do Centro Paula Souza para conhecer projetos criados por estudantes da rede pública de São Paulo, das Etecs e Fatecs. Crédito: Daniel Teixeira | Malu Mões

Uma arara com alto-falante que descreve roupas para pessoas com deficiência visual. Uma cadeira de rodas controlada pelo celular. Um capacete que aciona o Samu em caso de queda do motociclista. E até uma pulseira que, com um simples toque, avisa familiares ou cuidadores quando o usuário precisa de ajuda.

Parecem criações do Vale do Silício. Mas esses são projetos de estudantes da rede pública de São Paulo, das escolas técnicas (Etecs) e faculdades de tecnologia (Fatecs) paulistas.

Aplicativo para quedas de idosos

Em muitos projetos apresentados, as ideias surgem para solucionar dificuldades enfrentadas pelos próprios jovens. É o caso do projeto de Letícia de Almeida, Carolina Libarino e Raphaela Luvizotto, alunas de 17 e 18 anos de Desenvolvimento de Sistemas da Etec Profª Maria Cristina Medeiros, em Ribeirão Pires. Letícia e Carolina moram com os avós e, quando estão fora de casa, ficam preocupadas com o risco de eles caírem. Elas criaram, então, um aplicativo que, junto a uma câmera de vigilância, envia uma notificação em caso de queda dos idosos. “A gente não consegue ficar 24 horas olhando a câmera. Então, com o nosso projeto, conseguiríamos receber um aviso imediato caso acontecesse alguma coisa com nossos avós”, afirma Letícia.

Além de poder ser instalado em residências, o dispositivo também foi pensado para casas de repouso para idosos. A tecnologia também reconhece movimentos específicos, como levantar uma ou as duas mãos ou cruzar os braços, para sinalizar que a pessoa necessita ir ao banheiro, está com fome ou sede, ou se quer companhia. “A ideia é facilitar a comunicação entre idosos e cuidadores”, diz Raphaela.

O projeto venceu a 16.ª edição da Feira Tecnológica do Centro Paula Souzaentidade que administra as Etecs e Fatecs, realizada na semana passada. O trio ganhou R$ 10 mil para investir na iniciativa, além de um intercâmbio de quatro semanas para cada uma em países da Europa ou da América do Norte.

Prestes a concluírem o ensino médio e técnico, as três contam que planejam virar empreendedoras e implementar o projeto na cidade onde moram, Ribeirão Pires, de cerca de 100 mil moradores. Depois, o plano é expandir “para o máximo de pessoas possível”.

Capacete chama Samu

Outro projeto que chamou a atenção na feira foi o desenvolvido pelos estudantes Bruno Costa Rezende, de 19 anos, e Sarah Jandozza Laurindo, de 20, do curso de Desenvolvimento de Sistemas da Fatec Zona Leste, em São Paulo. Os dois criaram um capacete com sensores que emite alerta quando há veículos no ponto cego do motociclista — semelhante ao sensor de ré dos carros.

“A gente percebe muita preocupação na segurança de carros — muitos sensores, muitos dispositivos. Mas para motociclistas geralmente só há o capacete tradicional e o colete”, diz Bruno.

Os sensores do capacete ainda identificam queda. Nesses casos, ele aciona automaticamente uma ligação de urgência para o Samu e envia uma mensagem ao contato de emergência com o endereço do acidente. Os estudante ainda destacam que o capacete poderia também ser usado por ciclistas.

Arara falante

Apesar de o tato ter um papel importante, ir a uma loja comprar roupas pode demandar outros cuidados. “As pessoas com deficiência visual não conseguem enxergar as cores, os detalhes, o modelo”, diz Giovana da Silva, de 20 anos, estudante de Desenvolvimento de Sistemas da Fatec Zona Leste, na capital paulista. “Ao ir a uma loja, eles podem depender de algum vendedor ou alguma pessoa disponível no local. E, por receio ou medo, muitos acabam desistindo e muitas vezes comprando online”, diz a aluna.

Com as colegas de curso Ana Julia Lima de Oliveira e Bianca Farias da Silva, também de 20 anos, ela criou uma arara com alto-falantes que descreve o produto para auxiliar deficientes visuais nesses casos.

Ao colocar o cabide com uma peça na arara, uma voz metálica a descreve: “Camisa preta de mangas longas, gola redonda, tamanho M, tecido macio e leve de algodão que estica”.

Pulseira para se comunicar

O projeto de Emilly Christinny Alves de Jesus, estudante de 17 anos da Etec Euro Albino de Souza, em Mogi Guaçu, foi pensado para seu avô, Valdemar, de 74 anos.

“Ele sofreu um AVC e isso tornou a comunicação dele muito ruim. Ele começou a sofrer muito com isso. E toda a família também sofria com a angústia de não conseguir se comunicar com ele”, diz Emilly.

Ao lado dos colegas Izabela de Souza Santos, de 16, e Vinicius Santana dos Santos, de 17, Emilly criou uma pulseira com botões focada em pessoas com dificuldades parecidas com a de seu avó. Assim que o usuário apertar, o responsável por ela vai receber uma notificação em seu celular.

Os jovens dizem que se surpreenderam pelo retorno positivo que tiveram durante a feira. “Ganhamos muitas avaliações boas de professores, diretores e até de empresas que falaram que investiriam no nosso projeto”, afirma Vinicius. Isso deu esperança, aponta o trio, de que eles consigam levar esse projeto para frente.

Presidente do Centro Paula Souza, Clóvis Dias diz que este é o objetivo da feira. Segundo ele, o número de empresas interessadas em participar da feira aumentou nos últimos anos. “As companhias olham e falam: ‘Poxa, isso aqui interessa’. Muitas vezes, o aluno já sai daqui com alguma proposta de emprego ou de desenvolvimento daquele produto, para fazer aquilo de fato virar um negócio.”

Cadeira de rodas movida pelo celular

Um dos projetos que chamou a atenção de empresas foi um kit com preço acessível que torna uma cadeira de rodas convencional em motorizada. O aparelho passa a ser controlado, então, por voz ou pelo celular do usuário.

O projeto foi desenvolvido por Victor Theodoro, Luiz Alberto Iha Lima e Pedro Henrique Dias Santos, estudantes de 18 anos do curso de Desenvolvimento de Sistemas da Etec de Registro. Segundo eles, o kit será comercializado por R$ 400, enquanto uma cadeira motorizada custa no mínimo R$ 1.200. “A ideia principal é transformar essa tecnologia em algo de fácil acesso à população”, diz Victor.

Piano sem teclas

Um piano que, no lugar das teclas convencionais, tem sensores de infravermelho foi a ideia dos estudantes do curso de eletrônica da Etec Prof. Marcos Uchôas dos Santos Penchel, em Cachoeira Paulista.

“Ele é dedicado a pessoas com sensibilidade ao toque, incluindo pessoas no transtorno do espectro autista”, aponta Matheus dos Santos Pereira, que desenvolveu o projeto com seus colegas Maria Cecilia Alves Anaya Dias e Samuel Torres de Matos.

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