Powerpoint de Haddad joga luz no passado, mas não dá solução sobre risco futuro das contas públicas

Powerpoint de Haddad joga luz no passado, mas não dá solução sobre risco futuro das contas públicas

O ministro Fernando Haddad fez uma apresentação com números, tabelas e gráficos para o mercado financeiro em evento do banco Btg em São Paulo. Foi alvo de críticas de investidores porque colocou a culpa da incerteza fiscal nos governos Temer e Bolsonaro, que teriam, na sua visão, contratado despesas que foram pagas no governo Lula e derrubado receitas que impactaram a arrecadação atual.

Haddad exagerou na dose ao terceirizar a culpa, mas o seu powerpoint não está desprovido de mérito. Aos investidores, ele pontuou as compensações com a tese do século, as mudanças nas regras do BPC, o aumento dos aportes no Fundeb, além de gastos que mudaram de patamar, como as emendas parlamentares e os precatórios. Tudo isso tem raízes em governos passados, ainda que algumas medidas carreguem também os votos e as simpatias do PT no Congresso.

O ministro também defendeu a revisão de gastos obrigatórios como forma de manter de pé as regras do arcabouço fiscal e lembrou que a Fazenda não conseguiu alterar a regra de reajuste do fundo do Distrito Federal, para mostrar que, no Brasil, qualquer medida de ajuste fiscal enfrenta lobbies e resistências no Parlamento. “Não é uma questão técnica apenas, é política”, justificou, complementando que “Estado forte é Estado menos endividado”.

É exatamente aí que se encontra o grande nó das contas públicas. O governo atual indexou, por uma decisão política, os gastos com salário mínimo, saúde e educação, além de ter ampliado despesas com o Bolsa Família por meio da PEC da Transição, em 2022. Ao que tudo indica, as contas públicas vão se manter de pé até 2026, mas o torniquete orçamentário vai apertar de forma acelerada a partir de 2027.

Essa incerteza tem se refletido em diversos indicadores financeiros, a começar pela taxa Selic do Banco Central, que se mantém em 15% ao ano em grande parte pelo risco fiscal, como vem pontuando o Copom em todos os seus comunicados. Isso impede o crescimento sustável do País, além de dificultar a convergência de inflação para a meta.

E aí surgem as grandes questões: Quais serão as propostas para a área econômica de um eventual governo Lula 4? Haddad vai permanecer à frente do Ministério da Fazenda? Ele vai conseguir convencer o presidente de que é preciso rever essas regras de indexação?

A apresentação do ministro jogou luz sobre o passado, mas não aponta soluções sobre os riscos econômicos no futuro.

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