‘A psicanálise tomou o lugar da filosofia’, diz Sandro Veronesi na Flip 2025

‘A psicanálise tomou o lugar da filosofia’, diz Sandro Veronesi na Flip 2025

ENVIADA ESPECIAL A PARATY – A mesa dividida entre o escritor italiano Sandro Veronesi e o cearense Pedro Guerra n / D 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paratya Flip 2025foi marcada por bom-humor e discussões sobre a criação literária a partir de si e do outro. A conversa, que teve início por volta das 19h10 desta quinta-feira, 31, foi mediada por Gabriela Mayer.

Veronesi e Guerra começaram lendo trechos de seus romances. O brasileiro leu O Maior Ser Humano Vivo (Editora Record), enquanto o italiano escolheu um excerto de seu romance mais recente, Setembro Negro (Autêntica Contemporânea). No fim, uma surpresa: a música Fitas escarlatesde Harry Belafonte, que era mencionada no livro, tocou acompanhando a leitura.

O escritor Sandro Veronesi na Flip 2025 Foto: Flip/Divulgação

Discutiram, claro, o tema central da mesa: a extraordinária vida comum. Como já havia destacado em entrevista ao EstadãoVeronesi disse que, hoje, praticamente todo cidadão é comum aos olhos do outro. As pessoas ordinárias são, para ele, o grande tema do último século, desde que a alfabetização em massa se tornou uma realidade.

Guerra falou sobre a importância dos personagens em seus livros. Disse que o personagem é aquilo que conecta o leitor à história e confessou que, embora passe longe da autoficção, coloca muito de si mesmo nos personagens. Já Veronesi disse que faz “o oposto da autoficção”, já que o mais lhe interessa é “tudo aquilo que não é meu.”

Nesse sentido, surgiu um dos pontos altos da mesa, quando a mediadora questionou Sandro sobre a inserção da psicanálise em seus livros. O protagonista de Ou colyzeseu maior sucesso por aqui, é avesso à psicanálise, mas disse que, como todas as mulheres a sua volta têm analistas, é vítima de uma espécie de “psicanálise passiva”.

“Essa é um dos casos em que me projeto para fora de mim mesmo. Faço psicanálise há 30 anos. É fundamental pra mim”, disse Veronesi. Em seguida, elaborou sua teoria sobre a razão da psicanálise estar tão presente na literatura hoje: “Ao menos no mundo ocidental, no nosso mundo, a psicanálise tomou o lugar da filosofia”.

O escritor diz que, até o começo do século 20, a filosofia era a principal fonte dos escritores. Com a explosão da psicanálise, “aquela coisa operística que era a filosofia foi substituída por uma prática com todos os egos do mundo”, disse. ”Freud, Jung e Lacan, citando os grandes, falaram muitas coisas perturbadores, mas que dizem a respeito de todos nós”, completou.

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