A relação entre Brasil e EUA possui uma densidade que transcende as estatísticas do intercâmbio comercial. Somos uma nação ocidental identificada e influenciada pelos padrões culturais e empresariais americanos; além disso contamos com um mercado interno robusto e recursos naturais que atraem investidores globais.
Os EUA foram a primeira nação a reconhecer a independência do Brasil em 1.824, durante o Primeiro Reinado (1822 a 1831). Foi mais que uma formalidade. Ajudou a consolidar o Brasil como nação soberana e marcou o início das relações bilaterais desses países.
Esse contexto pode justificar em boa parte a mudança de tom e o convite dos EUA para o início do diálogo com bases realistas. Já é possível estabelecer, a partir desse ponto, a possibilidade da construção de um novo cenário baseado no pragmatismo após a crise deflagrada pelo tarifaço.
Os Estados Unidos são uma referência global em tecnologia, capacidade empresarial competitiva e competência gerencial. São os detentores do fluxo de liquidez financeira dos mercados mundiais. Ao mesmo tempo, é notório o interesse dos EUA pelos minerais raros presentes no subsolo brasileiro, recursos essenciais para abastecer a indústria da transição energética mundo.

O que está claro é que nunca em nossa história tivemos o engajamento em torno de um diálogo de lideranças de tão alto nível com a nação mais influente do planeta (na foto, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, conversa com o secretário de Estado americano, Marco Rubio) Foto: Embaixada do Brasil em Washingto
A balança comercial bilateral é assimétrica. As exportações brasileiras caíram 20,3% em setembro, enquanto as importações dos Estados Unidos cresceram 11,8%, ampliando o déficit. O superávit americano é de cerca de US$ 30 bilhões sobre o Brasil, que impõe tarifas médias de apenas 2,7% aos produtos de lá.
O desafio não é simplesmente equilibrar a balança comercial, nem superar o tarifaçomas atrair projetos de investimento dos EUA no Brasil, direcionados em inovação, reindustrialização verde e inserção qualificada nas cadeias globais.
Para um Brasil com renda média per capita de US$ 10 mil, o estabelecimento de novas parcerias com os Estados Unidos continua a ser o caminho efetivo para saltos de produtividade e sofisticação econômica.
A agenda principal da relação Brasil-EUA é essencialmente econômica, e segue, pela ordem, a desconstrução de impasses, bem como, depois, a busca pela construção de um novo caminho de oportunidades. É um processo longo, numa sequência de superação e desobstrução paciente, etapa por etapa.
O que está claro é que nunca em nossa história tivemos o engajamento em torno de um diálogo de lideranças de tão alto nível com a nação mais influente do planeta.