Duquesa de Tax: A história do eleitor de Trump que apoiou as tarifas e agora se arrepende
No programa ‘Fala, Duquesa!’ desta quarta-feira, 6, a colunista reage ao comentário de um produtor americano que acreditava que não seria afetado pelas tarifas. Crédito: Edição: Jefferson Perleberg/Estadão
BRASÍLIA – A nova lista de exceções à avaliar adicional de 40% publicada pelo presidente dos EUA, Donald Trumpna noite de quinta-feira, 20, libera 10,9% da pauta de exportações do Brasil do tributo, ou US$ 4,395 bilhões. Agora, 55,4% dos produtos brasileiros estão isentos dessa tarifa. É o equivalente a US$ 22,381 bilhões dos US$ 40,369 bilhões embarcados para os EUA em 2024.
Para chegar aos resultados, o Estadão/Broadcast cruzou as informações do Comexstat, sistema nacional de estatísticas de comércio exterior, com a lista de exceções às tarifas. Pode haver pequenas inconsistências nos números, porque os códigos da Tabela Tarifária Harmonizada dos Estados Unidos (HTSUS) são mais detalhados do que os do Sistema Harmonizado de seis dígitos (SH6), que foi usado no levantamento.
Entre as novas exceções anunciadas na quinta-feira, o produto com maior impacto é o “café não torrado e não descafeinado”, o terceiro da pauta exportadora aos EUA, atrás apenas de óleos brutos de petróleo e de outros produtos semimanufaturados de ferro e aço. Em 2024, as vendas desse produto somaram US$ 1,896 bilhão, pouco menos de 5% do total dos embarques.

Para especialista, 65% a 70% das exportações brasileiras ainda estão sujeitas a algum tipo de tarifa adicional imposta por Trump Foto: Daniel Teixeira/Estadão
As carnes de bovino desossadas e congelada — nono produto da pauta exportadora, com vendas de US$ 885,026 milhões no ano passado, ou 2% do total — também entraram na lista de exceções. Em seguida, por participação no total, aparecem preparações alimentícias e conservas de bovinos (US$ 393,554 milhões, ou 1%); outros sucos de laranja não fermentados (US$ 222,089 milhões, ou 0,5%); e óleo essencial de laranja (US$ 202,596 milhões, ou 0,5%).
Nas contas do economista-chefe da Leme Consultores, José Ronaldo Souza Júnior, os números são um pouco diferentes. Segundo ele, as isenções à tarifa extra agora alcançam 48,08% da pauta exportadora do Brasil para os EUA em 2024, enquanto 51,92% dos produtos continuam tarifados.
Ele destaca que as novas exceções contemplaram justamente os produtos que eram mais fortes candidatos a uma redução de tarifas. Café e carne bovina, por exemplo, são produzidos em enorme escala pelo Brasil e muito consumidos nos Estados Unidos. Por isso, manter a sobretaxa poderia levar a problemas inflacionários e ser politicamente custoso, ele destaca.
Mas, enquanto os produtos do agro já estavam sendo redirecionados, o analista destaca a dificuldade de redirecionar as exportações da indústria brasileira. “O Brasil tem uma dificuldade de integração nas cadeias produtivas globais industriais, e os EUA eram um destino diferente para o caso brasileiro”, ele explica.
O diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional da consultoria BMJ, José Pimenta, calcula que ao todo foram 347 novas exceções, incluindo produtos agropecuários, químicos e peças de avião. “O foco principal foi café e carne. Em relação a tudo que o Brasil exportou o ano passado, foram desgravados US$ 4,1 bilhões em NCMs, 68% desse valor são café e carne”, aponta.
“Com essa nova leva de isenções, que alcança 10%, somando aos 20% que estavam isentos, aproximadamente 30% dos produtos brasileiros estão isentos de (qualquer) tarifa”, diz Pimenta. Dos outros 70%, parte possui tarifaço de 50%, parte tem sobretaxa de 40%, parte alíquota recíproca de 10% e parte de produtos ligados à Seção 232. “Portanto, 65% a 70% do das exportações brasileiras ainda estão sujeitas a algum tipo de tarifa adicional, imposta durante o governo Trump”, disse.