Apagão continua em SP após 48 horas
Moradores de várias regiões relatam drama de viver sem água e sem luz.
Ó apagão que chegou a atingir 2,2 milhões de imóveis da Grande São Paulo esta semana impôs uma série de transtornos, como prejuízos no comércio, perda de estoques de comida, falhas no abastecimento de água e nos serviços de telefonia. Laboratórios de pesquisa de ponta também não escaparam da crise instalada pelo blecaute.
Esse é o cenário no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT)referência em pesquisa aplicada e soluções tecnológicas para a indústria e para o setor público.
Às escuras desde a tarde de quarta-feira, 10, o instituto se viu obrigado a interromper 90% da produção de mais de 60 prédios de laboratórios especializados. Na noite de sexta-feira, 12, a unidade ainda estava às escuras, assim como cerca de 580 mil outros imóveis na Grande São Paulo. A Enel diz ter mobilizado 1,6 mil equipes para restabelecer o serviço (leia mais abaixo).
“Com a falta de energia, nossa produção laboratorial, responsável por mais de 2 mil ensaios e análises diferentes em nosso portfólio, é afetada quase totalmente”, explica Fabiano Moraes, diretor Administrativo do IPT.

Eletrolisador, equipamento usado para separar moléculas, do Laboratório de Hidrogênio do IPT Foto: Augusto Max Colin/IPT
O instituto realiza ensaios, análises, certificações, além do monitoramento, consultoria e desenvolvimento de produtos e processos. Neste ano, foram emitidos mais de 16 mil documentos técnicos, resultados dos serviços de ensaios e análises.
Uma das atividades impactadas envolvem o Laboratório de Hidrogênio (LabH2), inaugurado no mês passado. Com investimentos de R$ 50 milhões, o laboratório desenvolve soluções para produção, armazenamento, transporte e usos do hidrogênio, vetor energético eficiente para promover menor emissão de gases de efeito estufa.
O hidrogênio contribui como combustível em transportes, diversos ramos industriais e na produção de outros combustíveis, como o Combustível Sustentável de Aviação (SAF, em inglês).
Além disso, o IPT contribui na formação de mão de obra para aplicação na indústria. Há tratativas para projetos com a Toyota, GWM, Hyundai e Marcopolo. “É uma infraestrutura completa para dar suporte à pesquisa, desenvolvimento e inovação na cadeia de valor do hidrogênio”, diz o diretor.
Os testes de segurança nos laboratórios foram adiados pela falta de energia.
Medição de gás e até livros didáticos
Há atividades desenvolvidas pelo instituto que estão bem próximas do dia a dia da população, como a calibração dos medidores utilizados pela Comgás. Esses dispositivos fazem a leitura dos dados de consumo do cliente.
O IPT também trabalha com nanopartículas e culturas de células para desenvolvimento de medicamentos. O leque de serviços do IPT para a indústria é vasto e abrange desde empresas como Petrobrás e Vale até startups com uso de intenso de tecnologia. Para os laboratórios que precisam de refrigeração permanente, a unidade tem recorrido a geradores.
É afetada até a produção de livros didáticos comprados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do governo federal, e da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), da Secretaria Estadual da Educação
Isso porque o Laboratório de Materiais Avançados analisa os livros escolares, conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e também defeitos de impressão, materiais de miolo, capa e lombada.
Os prejuízos ainda não podem ser mensurados, mas serão medidos pela queda da entrada de receitas, como explica Moraes. O órgão da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do estado de São Paulo fatura cerca de R$ 100 milhões por ano.
As equipes foram colocadas em trabalho remoto. Já os times de manutenção permanecem em plantão na Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste paulistana.
Enel está sob xeque após sucessivos blecautes
A Enel afirma ter reforçado antecipadamente seu número de técnicos nas ruas. Ao longo do dia, diz ter 1,6 mil equipes em campo para restabelecer a energia, além de disponibilizar 700 geradores para as áreas afetadas.
Nos últimos dois anos, a atuação da concessionária está sob xeque diante dos sucessivos episódios de apagão e da demora em dar resposta às crises. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) têm defendido intervenção federal na empresa.
A Sabesp informa que a falta de eletricidade impede o bombeamento de água para as residências e diz fornecer caminhões-pipa para as regiões mais críticas.