Prezado leitor, leitora, não imagine que, a partir de agora, com a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, haverá, de imediato, muitos produtos mais baratos no supermercado. Os benefícios – e desafios – do acordo ocorrerão ao longo dos anos. E, sim, também no caso desse acordo comercial, os consumidores de alta renda terão muito mais ganhos do que a maioria da população.
Produtos como queijos, vinhos, chocolates e azeites fabricados na Europa, mesmo mais baratos, continuarão caros para a maioria dos brasileiros. Haverá mais variedade de alimentos, sem dúvida, mas isso não significa que serão acessíveis a todos.
Então, qual a vantagem? Em primeiro lugar, um acordo comercial deste porte impactará normas ambientais, qualidade de produtos, dentre outros aspectos. O que, consequentemente, beneficiará todos os brasileiros. Além disso, haverá mais comércio entre blocos econômicos, com mais exportações e importações, o que gerará empregos e renda.
As políticas de proteção ambiental ganharão muito com a proximidade econômica com os europeus. E a União Europeia também é muito avançada na regulação da inteligência artificial (IA), enquanto por aqui o Marco Legal da IA ainda tramita na Câmara dos Deputados.
Acrescente-se que os europeus também se destacam na regulação da concorrência e das Big Techs.
A maior área de livre comércio do mundo, portanto, vai muito além de um acordo comercial. Há espaço, por exemplo, para aprofundar parcerias educacionais, científicas e tecnológicas. Companhias de diversos países europeus deverão ser atraídas a investir nos países do Mercosul, e o Brasil, certamente, pelo porte econômico e população, será o mais atraente deles.
A demora para firmar o acordo – um quarto de século! – comprova que é muito mais difícil unir diversos países em torno de uma pauta comum, do que fomentar uma guerra.
Teremos muito a evoluir e a aprender com nossos novos parceiros, e eles conosco. O Brasil desenvolveu um poderoso agronegócio, com liderança em diversas áreas, como soja, café, açúcar, suco de laranja, carne bovina, frango, celulose e algodão. Temos o maior sistema público gratuito de saúde, o SUS.
Enfim, o que começa, mesmo, a partir de agora, é um período de amplo aprendizado mútuo entre parceiros econômicos da Argentina, Brasil, Chile e Paraguai com os 27 países da União Europeia. A Bolívia ainda está em processo de adesão ao Mercosul, e a Venezuela está suspensa desde 2016, por deixar de cumprir com obrigações assumidas no Protocolo de Adesão.
O sucesso desse acordo é uma história a ser escrita.
