Famoso por suas histórias envolvendo o desaparecimento misterioso de embarcações e aeronaves, o Triângulo das Bermudas, no Oceano Atlântico Norte, é alvo de um novo estudo geológico que revelou fatos inéditos sobre a sua formação. O trabalho detectou sob as ilhas uma gigantesca estrutura geológica que desafia o conhecimento tradicional sobre a composição das camadas da Terra.
Ilhas vulcânicas gradualmente submergem por conta do movimento das placas tectônicas. É o que acontece no Havaí, por exemplo. Mas a Ilha de Bermuda — um dos vértices do triângulo — é uma exceção. Os vulcões dessa ilha estão inativos há 31 milhões de anos, mas ela permanece elevada sobre as águas.

O Triângulo das Bermudas, no Atlântico, conhecido pelos misteriosos desaparecimentos de aviões e navios Foto: Adobe Estoque
Um grupo de sismólogos dos Estados Unidos descobriu que na Ilha de Bermuda, sob a crosta, existe uma camada adicional de rocha de vinte quilômetros de espessura. O trabalho foi publicado na revista especializada Cartas de Pesquisa Geofísicano fim de novembro, e mostra que a camada extra funciona como uma plataforma, elevando a ilha por cerca de 500 metros do solo oceânico, e impedindo que afunde.
O famoso local fica entre entre a Flórida. as Bahamas e Porto Rico.
“Normalmente, depois da crosta oceânica, encontramos o manto terrestre”, explicou um dos autores do estudo, William Fraser, do Instituto Carnegie. “Mas na Ilha de Bermuda existe essa outra camada, entre a crosta e o manto. Essa espessura nunca foi observada em nenhuma outra camada semelhante ao redor do mundo.”
Os cientistas acreditam que a camada extra foi formada durante a última erupção vulcânica, quando rochas do manto terrestre penetraram na crosta onde se solidificaram.

O novo trabalho mapeou centenas de terremotos e, por meio da sismologia, detectou a estrutura desconhecida sob a ilha de Bermuda Foto: Reprodução
A geóloga Sara Mazza, que não participou do estudo, afirmou que a composição da rocha indica que é originária do manto e, provavelmente, se formou durante a formação do supercontinente Pangea (entre 900 e 300 milhões de anos atrás).
“O fato de estar localizada numa área que era o coração do último supercontinente é parte da história que torna esse lugar tão único”, afirmou a geóloga do Smith College (de Massachusetts, nos EUA) em entrevista à revista Ciência Viva.
Os pesquisadores planejam, agora, estudar outras ilhas ao redor do mundo para entender se Bermuda é a única a apresentar tal fundação geológica.