Descoberta em ilha no meio do nada: como esses navegadores se espalharam pelo Pacífico

Descoberta em ilha no meio do nada: como esses navegadores se espalharam pelo Pacífico

As ilhas Chatham são um pequeno arquipélago localizado 800 quilômetros a leste da parte sul da Nova Zelândia. É composto por 10 ilhas que ocupam um círculo de 60 quilômetros de diâmetro. Um ponto minúsculo no meio do oceano.

Essas ilhas foram o último território colonizado pelos povos da Polinésia, os grandes navegadores que se espalharam pelo Pacífico. Enquanto os europeus “descobriam” a América atravessando o Atlântico com suas caravelas, os polinésios descobriram e colonizaram as ilhas do Pacífico usando suas enormes canoas com velas, os Waka.

Muitos duvidavam dessa proeza, mas em 1992 uma dessas canoas foi reconstruída e um explorador refez todas as principais travessias usando os métodos de navegação dos polinésios, demonstrando que essas enormes viagens pelo pacífico são possíveis.

Os Moriori chegaram nessas ilhas por volta de 1500, quando os europeus estavam descobrindo o Brasil. Na sua história oral eles vieram em uma ou duas canoas que partiram da Nova Zelândia. Estudos da diversidade genética dos Moriori indicam que realmente um número muito pequeno de pessoas, dezenas, colonizou a ilha.

Como a agricultura era quase impossível, essa população humana sobreviveu como coletores e caçadores totalmente isolados até que em 1791, um navio chamado Chatham “descobriu” a ilha. Ela foi incorporada à Inglaterra e o nome original da ilha, dado por seus descobridores, Rēkoru, foi substituído. Em 1835, um grupo de Māoris vindo da Nova Zelândia invadiram a ilha e praticamente dizimaram a população Moriori.

Em agosto de 2024, Nikau Dix estava passeando em uma praia no norte da ilha quando se deparou com fragmentos de madeira que apareceram em um local que havia sido erodido. Pensou em fazer uma mesa com a madeira até que descobriu pranchas de até 5 metros de comprimento esculpidas e fragmentos de cordas. Os arqueólogos foram chamados e desde então o local vem sendo escavado e investigado. Já foram encontrados mais de 400 fragmentos de uma enorme Waka tuitui, canoas enormes, com velas, usadas pelos polinésios para longas travessias, muitas delas decoradas com conchas.

A novidade é que agora foram divulgados os primeiros resultados da datação com carbono 14 do material escavado. Esse método permite saber quando materiais orgânicos foram obtidos. Árvores cortadas e pedaços das plantas foram usados para fazer cordas. Os resultados indicam que a Waka tuitui foi construída entre os anos 1400 e 1415 – um pouco antes das mais antigas evidências de ocupação humana na ilha, que são de 1450.

Somando os relatos da tradição oral de onde somente uma ou duas Waka chegaram à ilha, com o pequeno número de pessoas que colonizou a ilha, com a data das primeiras evidências de presença humana, e com a idade dessa imensa Waka, existe uma grande possibilidade que essa canoa tenha sido a que trouxe a população humana original para a ilha.

Grande parte da canoa ainda está enterrada, mas os cientistas acreditam que ela pode estar intacta sob a areia. Como restos dessas canoas são muito raros, essa pode ser uma descoberta arqueológica importante.

É fascinante pensar como estava errada a ideia dos ocidentais. Eles imaginaram ter encontrado ilhas habitadas havia milênios. Na verdade, por volta de 1500 os polinésios estavam nos estágios finais da descoberta do Pacífico.

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A canoa esculpida ‘incrível’ remonta ao primeiro assentamento de ilhas perto da Nova Zelândia. Ciência https://www.science.org/content/article/incredible-carved-canoe-dates-back-first-settlement-islands-near-new-zealand 2025

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