Vendaval de SP faz Climatempo mudar parâmetros para medir fenômeno; entenda

Vendaval de SP faz Climatempo mudar parâmetros para medir fenômeno; entenda

Moradores relatam transtornos causados por falta de luz em São Paulo

Há relatos de munícipes há 24 horas sem energia; abastecimento de água também foi afetado. Crédito: Andresa Bernardo da Silva Miguel e Danilo Gouveia Garcia

Ó vendaval que atingiu São Paulo na quarta-feira da semana passada10, foi tão incomum que levou a empresa de serviços meteorológicos Climatempo a mudar a forma de registrar dados sobre os ventos no País. A empresa passa a identificar se os ventos fortes estão associados a tempestades ou não. A forma de registro é usada nos EUA, mas até agora não era usada no Brasil.

Segundo o meteorologista da Climatempo Cesar Soaresa intensidade e a longa duração do vento seco que atingiu a capital abriram um precedente técnico que demanda a nova regra.

“Hoje em dia, ao guardar informações de ventos intensos e ao ranquear essas informações não guardávamos se choveu ou não, afinal é muito mais comum termos ventos intensos em condições de chuva”, explicou. “No entanto, a rajada de ventos de 93,6km/h no Aeroporto de Congonhas na última quarta-feira abriu um precedente, afinal não tivemos chuva.”

Casos de ventos fortes com tempo firme podem se tornar mais comum com ciclones extratropicais se formando sobre o continente. Em geral, os ciclones se formam no oceano.

O vendaval registrado em São Paulo começou na manhã da quarta-feira e se estendeu até pouco depois das 21h, com rajadas acima de 75 km/h ao longo de todo o dia.

A maior velocidade foi registrada no Aeroporto de Congonhas – o maior valor de velocidade de vento sem tempestade já registrado na cidade desde o início das medições pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 1963.

Segundo o especialista, rajadas de vento de 90 km/h a 100km/h são relativamente comuns em meio a temporais, mas extremamente raras com ar seco.

“Por isso guardaremos essas informações juntamente com a informação se choveu ou não. É mais uma classificação que passa a ser necessária dada as condições atmosféricas que observamos recentemente em São Paulo”, afirmou o meteorologista. “Então, quanto formos questionados sobre qual foi a maior rajada de vento observada? Devolvemos a pergunta, em condição de tempo firme ou de chuva?”

A decisão da Climatempo de separar ventos secos e ventos úmidos segue o modelo dos Estados Unidos, onde órgãos que atuam como a Defesa Civil no Brasil tratam os dois fenômenos (vento com chuva e sem chuva) como categorias distintas, tanto para a emissão de alertas quanto para a análise de risco.

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