Jaffar Bambirra e Julia Dalavia falam sobre ‘Dias Perfeitos’
Série é adaptação do livro de Raphael Montes e traz novo ponto de vista sobre a história de Téo e Clarice. Crédito: Danilo Casaletti/Estadão
O ano que está chegando ao fim foi recheado de grandes séries, sejam elas criações inéditas ou novas temporadas de produções de sucesso, espalhadas pelos principais serviços de streaming.
Por isso, os críticos, repórteres e colaboradores do Estadão tiveram que selecionar, cada um, qual foi a melhor série de 2025, indicando o motivo.
As únicas atrações escolhidas por mais de um profissional foram Adolescênciasim Netflixdrama de quatro episódios sobre um menino acusado de ter matado uma colega de escola, e a comédia Hackssim HBO Máx.estrelada por Jean Smart, que apresentou sua quarta temporada.
Confira a lista completa abaixo e as justificativas para os votos.

‘Adolescência’ e ‘O Estúdio’ foram selecionadas entres as melhores séries de 2025 pelo ‘Estadão’ Foto: Netflix; Apple TV/Divulgação
Mussolini – O Filho do Século (Mubi)
- Por: Luiz Carlos Merten, crítico
Joe Wright e a ascensão política de Mussolini, sustentado pela truculência de seus Camisas Pretas, no caos da Itália dos anos 1920. Uma aula de História, cinema e interpretação. A atuação de Luca Marinelli é espetacular. LEIA ENTREVISTAS
Adolescência (Netflix)
- Por: Luiz Zanin, crítico, e Julia Queiroz, repórter de Cultura
LZ: Garoto de 13 anos é acusado de ter matado uma colega de escola. Ele e a família são arrastados a uma investigação sobre o crime e suas causas. Uma preciosa radiografia do nosso tempo de redes sociais e seus impasses, em linguagem cinematográfica apurada, com episódios em plano-sequência (sem cortes), o que apenas turbina a tensão do enredo. LEIA CRÍTICA
JQ: Entre tantas boas produções lançadas neste ano, nenhuma teve um impacto tão grande quanto Adolescênciaa brilhante e urgente minissérie de Stephen Graham e Jack Thorne sobre um garoto de 13 anos acusado de matar uma colega de classe. Quatro episódios filmados em plano-sequência e atuações excepcionais não só deixam o espectador vidrado na tela, como o colocam em confronto com os grandes desafios da educação em um mundo cada vez mais online, hostil e dividido. LEIA MAIS
O Lótus Branco (HBO Max)
- Por: Bruno Carmelo, colaborador de Cultura
Alguns fãs da série criada por Mike White apontam uma queda de qualidade na temporada recente, no entanto, raros lançamentos atingem tão alto nível na construção dos personagens, nos diálogos e na atuação de um elenco bastante diverso. O projeto insiste em ridicularizar a intimidade dos milionários, garantindo que se devorem entre si, manchando de sangue o cenário paradisíaco de terras distantes. A felicidade nunca esteve tão longe destas pessoas inseguras e vazias, que navegam entre um humor afiadíssimo e a construção gradual do suspense. A terceira temporada ainda encontrou maneiras originais de manter o ponto de partida do assassinato, sem soar repetitiva. Um grande trabalho de roteiro e direção. LEIA CRÍTICA
Mais (Apple TV)
- Por: Gabriel Zorzetto, repórter de Cultura
Não foi por acaso que esta se tornou a série mais assistida da história da Apple TV. A trama desenvolvida por Vince Gilligan, criador de Liberando o mal e Melhor ligar para Saulalém de ser envolvente, é capaz de apresentar discussões originais mesmo se inspirando em contextos já explorados no cinema e na televisão. Ela extrapola o conceito batido de apocalipse ao não colocar o fim da humanidade como centro do espetáculo e sim como pano de fundo para uma reflexão mais ampla sobre coexistência, individualidade e dilemas morais. LEIA ENTREVISTAS
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Série é estrelada por Rhae Seehorn, e tem produção de Vince Gilligan. Crédito: Reprodução/YouTube/Apple TV
O Ensaio (HBO Max)
- Por: Pedro Strazza, colaborador de Cultura
Poucas séries deste ano podem afirmar que mexeram o debate a ponto de causar mudanças institucionais. Deste grupo, porém, só O Ensaio tem a pachorra de conquistar o feito pelas imagens mais insólitas —e engraçadas—, incluindo a de seu criador mamando em uma marionete de dois metros de altura. Em sua segunda temporada, a comédia criada por Nathan Fielder se afundou no assunto dos acidentes aéreos, provando uma correlação inusitada das tragédias com a falta de comunicação entre os pilotos. A lógica veio repleta de birutices, coroadas em um episódio final que mostrou o comediante dirigindo um voo comercial e cheio de passageiros —uma cena embasbacante para uma TV americana toda comportada.
Hacks (HBO Max)
- Por: Flávio Pinto e Nico Garófalo, colaboradores de Cultura
FP: Em um ano fraco para a televisão em geral, meu destaque vai para uma série que já esteve ainda melhor, mas que segue surpreendendo mais do que outras produções no ar. Em sua quarta temporada, Hacks conseguiu renovar a relação entre Deborah Vance (Jean Smart) e Ava Daniels (Hannah Einbinder, que finalmente levou seu Emmy pela performance), além de trazer novos obstáculos para a carreira das comediantes.
de: Jean Smart e Hannah Einbinder seguem fazendo um trabalho maravilhoso como a comediante veterana e sua jovem roteirista. Hacks nunca pegou leve na crítica aos preconceitos que permeiam Hollywood, mas a quarta temporada trouxe Deborah e Ava brigando contra esse cenário de sua forma mais ativa até aqui. O pano de fundo chamativo do mundo do show tardio estadunidense é apaixonante, assim como os esforços das protagonistas de se manterem vivas na indústria. A inevitável queda das duas acontece de forma tragicômica, mas deixa um gancho fortíssimo para o quinto ano.
Ruptura (Apple TV)
- Por: Beatriz Amendola, editora-assistente de Cultura
As listas de fim de ano podem ser cruéis com as séries que estreiam no começo dele, mas seria uma injustiça deixar a produção criada por Dan Erickson de fora. De volta após um longo hiato de três anos, Ruptura trouxe uma segunda temporada que cumpriu com louvor o desafio de revelar as respostas para alguns de seus mistérios, mas de forma a deixar o gosto pelo que está por vir. Aprofundando-se em sua mitologia, a trama foi mais a fundo em seus dilemas morais, consolidando os “internos” de seus personagens – ou seja, aqueles que só existem no trabalho, na misteriosa Lumon – como pessoas independentes. A direção marcante de Ben Stiller, que comandou boa parte da temporada, e as atuações de primeira linha também colaboraram para uma temporada excepcional. LEIA ENTREVISTAS
O Pitt (HBO Max)
- Por: Laysa Zanetti, colaboradora de Cultura
Nenhuma outra série foi tão necessária neste ano como O Pittum drama médico que conquistou corações com a rotina de um pronto-socorro com poucos recursos de um hospital em Pittsburgh. Em tempos em que as séries de TV se parecem cada vez mais com filmes sofisticados de 8 horas, o programa criado por R. Scott Gemmill nos faz recordar do que os melhores dramas televisivos são realmente feitos: personagens envolventes, histórias emocionantes e aquela sensação de que todos eles são novos membros da nossa família. A velocidade com que os episódios correm é inversamente proporcional ao afeto e ao cuidado que todos eles demonstram em cena, e o foco no impacto emocional de cada caso sobre os profissionais de saúde faz com que a série, sabiamente, fuja do típico melodrama de programas do gênero. É um choque de adrenalina bem-vindo e urgente em um formato televisivo que estava quase dizendo adeus.
It: Bem-Vindos a Derry (HBO Max)
- Por: Sabrina Legramandi, repórter de Cultura
Apostar em uma prequela (expansão de uma história já conhecida, situada antes dela) significa correr o risco de desapontar fãs e não fisgar os que não conhecem a história original. It: Bem-Vindos a Derryporém, passou longe disso. A trama abordou de forma congruente os prelúdios escritos por Stephen King no livro original e trouxe personagens carismáticos e marcantes. Tudo com o tempero King, que nos faz revirar de desconforto na cadeira. A primeira temporada mostrou que a produção é uma série feita por fãs de King para fãs de King: há easter eggs, personagens frequentes nos livros do mestre do terror e a explicação para a origem do palhaço Pennywise. LEIA ENTREVISTAS
‘It: Bem-Vindos a Derry’: Veja trailer de últimos episódios da série
Produção é inspirada em ‘It – A Coisa’, de Stephen King. Crédito: HBO Max/Divulgação
Dias Perfeitos (Globoplay)
- Por: Danilo Casaletti, repórter de Cultura
Baseada no livro de mesmo nome escrito por Raphael Montes, a série brasileira teve adaptação de Claudia Jouvin, que deu um novo final para o thriller que mostra a relação abusiva da qual Clarice (Julia Dalavia) é vítima. Jaffar Bambirra, que interpretou o agressor Téo, foi um dos destaques, provando que pode fazer muito mais do que personagens superficiais na TV. A direção de Joana Jabace abordou temas como violência contra a mulher e estupro de maneira dura, sem o olhar julgador, mas nunca banalizando a dor da vítima. LEIA ENTREVISTAS
O Estúdio (Apple TV)
- Por: Matheus Mans, colaborador de Cultura
Que grande sacada a de Seth Rogen, o criador e protagonista de O Estúdio. A série, hilária do começo ao fim, fala sobre os bastidores de um grande estúdio fictício de Hollywood. Com participações especiais inesperadas, como Martin Scorsese e Ron Howard, a produção prende do primeiro ao último episódio em uma história que diverte e até mesmo consegue emocionar. Destaque para o episódio do plano-sequência e a recriação completa do Globo de Ouro. LEIA MAIS