BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu nesta segunda-feira, 24, os serviços da Petrobrás para a perfuração de gás natural em Moçambique e defendeu uma maior participação de empresas brasileiras no país.
“Nada impede que a dona Petrobras, representada pela dona Sílvia, mande a sua engenharia de perfuração — ela é a diretora de perfuração —, vir aqui, se reunir com a empresa de vocês para saber onde e quando a gente vai poder assinar um acordo e onde e quando a gente vai começar a tirar gás”, disse Lula durante fórum com empresários de Moçambique e do Brasil em Maputo, capital de Moçambique.
Lula afirmou que “o Brasil precisa muito de gás, e Moçambique tem muito gás”, mas que o país africano não tem a expertise necessária para a exploração.
O presidente brasileiro lembrou que a estatal brasileira atuou em países africanos, mas disse que o estatal “se trancou no Brasil”. “A Petrobras já esteve em muitos países africanos. As empresas de engenharia brasileiras já estiveram em quase todos os estados africanos. Quase todos. Era difícil você passar num país africano que não tivesse uma empresa brasileira fazendo uma ponte, um viaduto, uma hidrelétrica, alguma coisa”, declarou.

Lula desembarca em Maputo, Moçambique Foto: Ricardo Stuckert/PR
“A Petrobras deixou o continente africano e se trancou dentro do Brasil, porque aqueles que fizeram isso não queriam a Petrobras grande nem brasileira. Queriam vender, fatiar a Petrobras. E como não conseguiam fazer isso, foram vendendo pedaços da Petrobras”, falou.
Pouco antes, durante o discurso, o presidente de Moçambique, Daniel Chapo, também havia citado a atuação de no país de empresas brasileiras como a Odebrecht, Camargo Corrêa e a OAS, investigadas posteriormente pela Operação Lava Jato.
Lula lembrou que, durante seu primeiro mandato, incentivava empresas a produzirem na África: “(Dizia) ‘Na África vocês vão ter mercado mais fácil para a Europa. A dificuldade que a gente teria de exportar do Brasil para a Europa, a gente não teria de vários países africanos’. Mas é difícil. É difícil, porque me parece que as pessoas têm medo de arriscar”.
A visita oficial vem nas comemorações de 50 anos de relação entre os dois países. Mais cedo, Lula teve reunião bilateral com Chapo e participou de evento para assinatura de acordos entre os dois países.
Ainda nesta segunda-feira, receberá o título de doutor honoris causa da Universidade Pedagógica de Moçambique. A previsão é que embarque de volta à Brasília às 13h20, no horário de Brasília.
Minerais críticos
Lula reafirmou o desejo de que o Brasil não seja um mero fornecedor de minerais críticos e defendeu uma parceria com países africanos para a exploração desse tipo de mineral.
“O continente africano possui importantes reservas de minerais críticos, como o lítio e cobalto, que desempenharão um papel estratégico na transição verde. A cooperação internacional nessa matéria é fundamental. Quero te dizer que o Brasil está disposto a colaborar com vocês”, declarou.
“Temos que tomar a decisão. Não vamos ser exportadores dos minerais críticos. Se quiser, vai ter que industrializar no nosso país para que o nosso país possa ganhar dinheiro”, continuou.
Lula defendeu o fortalecimento de parcerias de produção e comércio com países africanos, dadas as dificuldades comerciais com países de outros blocos: “O Brasil terá mais dificuldade de vender coisas para a Alemanha, mas vende. Terá mais dificuldade de vender coisas para os Estados Unidos, mas vende. Mas no continente africano, não só podemos vender, como podemos produzir coisas para comprar”, declarou.
O presidente brasileiro citou as negociações de combustível. “Em abril de 2026, em Hannover, vai acontecer a maior feira industrial do mundo. O Brasil é um convidado de honra. Eu quero ir lá, na feira de Hannover, para provar qual a gasolina e qual o óleo diesel que emitem menos CO₂ no planeta Terra. Quero provar que é o brasileiro”, falou.