Pesquisa que levou Nobel de Química é esperança contra colapso climático do planeta; entenda

Pesquisa que levou Nobel de Química é esperança contra colapso climático do planeta; entenda

Qual é a importância do Prêmio Nobel de Química de 2025?

Hamilton Varela, diretor do Instituto de Química de São Carlos da USP, explica o desenvolvimento de estruturas metalorgânicas (ou organometálicas). Crédito: Edição: Isabel Lima/Estadão

Ó Prêmio Nobel de Química 2025 foi concedido para os cientistas Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar M. Yaghi “pelo desenvolvimento de estruturas metalorgânicas (ou organometálicas)”, anunciou a Academia Real das Ciências da Suécia nesta quarta-feira, 8. A descoberta dos cientistas abre caminho para o combate às mudanças climáticas.

Segundo os organizadores do prêmio, esses pesquisadores “criaram construções moleculares com grandes espaços pelos quais gases e outros produtos químicos podem ser capturados e armazenados”.

Essas estruturas podem ser usadas para capturar água do ar do deserto, armazenar gases tóxicos, catalisar reações químicas e conduzir eletricidade. Uma das mais importantes aplicações potenciais, entretanto, seria capturar CO2 (o principal gás do efeito estufa) da atmosfera, o que poderia amenizar os efeitos do aquecimento global. Tanto é assim que as moléculas já estão sendo chamadas muitos de o mais importante material do século XXI.

Potencial contra o aquecimento global

O japonês Susumu Kitagawa é professor na Universidade de Quioto. O britânico Ricardo Robson é professor na Universidade de Melbourne, Austrália. Jabar m. Nãoda Jordânia, atua na Universidade da Califórnia, Berkeley, nos Estados Unidos.

“Esses materiais têm grande potencial no enfrentamento do aquecimento global”, afirmou a química Monique Deon, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), apoiada pelo Instituto Serrapilheira.

“São sólidos com áreas superficiais enormes, até superiores a um campo de futebol, mas concentrada em uma quantidade de material da ordem de uma colher de chá. Quantidades muito pequenas de moléculas organometálicas podem remover quantidades enormes de CO₂ da atmosfera e mitigar efeitos de mudanças climáticas”, explica.

A partir das descobertas dos laureados, químicos de todo o mundo construíram milhares de diferentes moléculas organometálicas. Algumas delas podem contribuir para resolver alguns dos maiores desafios da humanidade, com aplicações que incluem retirar traços de drogas do meio ambiente, retirar moléculas de CO2 da atmosfera e capturar água no ar do deserto. Até agora, essas moléculas foram usadas em pequena escala, mas muitas empresas já testam formas de produção em larga escala e comercialização.

“Solução primossora”

“A captura de CO2 usando as moléculas metalorgânicas é uma solução promissora para mitigar emissões de gases de efeito estufa, principalmente em industrias onde emissões são muito significativas, como as usinas térmicas e as indústrias de cimento”, explica o químico Severino Alves Júnior, professor do Departamento de Química Fundamental da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Alves Júnior é membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e um dos pioneiros no trabalho com as moléculas no Brasil.

“São materiais altamente porosos, com elevada área superficial e com estrutura ajustável, que faz com que a captura de CO2 seja mais efetiva”, afirmou o químico. “Mas não só para a captura de CO2, também para a purificação da água, o armazenamento de energia, a liberação controlada de fármacos; há várias aplicações.”

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