Dembélé, favorito à Bola de Ouro, atinge objetivos que Neymar não conseguiu no PSG

Dembélé, favorito à Bola de Ouro, atinge objetivos que Neymar não conseguiu no PSG

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Técnico da seleção brasileira recebeu o Estadão direto do museu da CBF, no Rio de Janeiro. Crédito: TV Estadão

PARIS – Melhor jogador da última Liga dos Campeõessendo peça-chave quando o Paris Saint-Germain conquistou pela primeira vez na história o tão sonhado título continental, o atacante Ousmane Dembélé deve ser eleito nesta segunda-feira também como o melhor jogador do mundo da temporada 2024/2025.

Se isso se confirmar, em dois anos no PSG, ele vai atingir os dois principais objetivos que o brasileiro Neymarjustamente de quem herdou a camisa 10, não conseguiu em seis temporadas no clube francês: a Champions League e o Ballon d´Or.

O tradicional prêmio Bola de Ouro, organizado pela revista francesa France Football, será entregue nesta segunda em Paris, em cerimônia no Teatro do Châtelet. Dembélé é o grande favorito a ganhar o troféu. Seus principais concorrentes são, especialmente, o garoto Lamina Yamal e o brasileiro Raphinhaambos do Barcelonamas também Mohamed Salah, do LiverpoolKyllian Mbappé, faça Real Madride Cole Palmer, do Chelsea.

Entre os 30 indicados da categoria, nove atletas são do time do PSG campeão europeu: Donnarumma, Hakimi, Nuno Mendes, Vitinha, João Neves, Fabián Ruiz, Desiré Doué e Kvaratskhelia, além de Dembélé.

Contratado pelo Paris Saint-Germain em agosto de 2023, Dembélé assumiu a camisa 10 de Neymar, que deixou o clube e foi para o Al Hilal, da Arábia Saudita, dias depois da chegada do atacante francês. Semana passada, o diretor esportivo do PSG, Luís Campos, confirmou que a saída do brasileiro aconteceu por uma decisão do técnico Luís Enrique. O treinador espanhol queria montar uma equipe com outro perfil de jogadores, sem grandes estrelas, priorizando o futebol coletivo ao invés de destaques individuais.

Dembélé, que custou 50 milhões de euros ao Paris, valor da multa rescisória paga ao Barcelona, ​​seu ex-clube, se encaixou bem nas ideias de Luís Enrique. O atacante de 28 anos tem contrato até junho de 2028. Assim como outros reforços que chegaram, ele se destacou dentro de um esquema bem montado, cumprindo funções táticas ofensivas e também defensivas.

Na última Champions League, Dembélé teve números expressivos, com oito gols marcados e seis assistências, em 15 jogos disputados. Foi decisivo na conquista inédita da taça e eleito pela Uefa como o melhor da competição. No total da temporada passada, foram 35 gols e 16 assistências, em 53 jogos. Além do título europeu que tem peso importante na votação, ganhou também o Campeonato Francês, a Copa da França, a Supercopa da França e a Supercopa da Uefa. Seu desempenho teve uma evolução bastante significativa em relação à temporada anterior, 2023/2024, quando ele fez apenas 6 gols e deu 14 assistências, em 42 partidas.

“Este ano foi excepcional, tanto coletivamente quanto pessoalmente. Eu assinei com o Paris Saint-Germain para viver momentos como este. Quando você experimenta isso, você sempre quer mais. É um ótimo balanço, o meu melhor na Liga dos Campeões. Ser eleito o melhor jogador da competição é algo excepcional. Fiquei muito feliz, porque quando você olha para todos os jogadores que jogam nesta competição, os melhores estão lá. Eu queria ter uma ótima temporada, marcar muitos gols, ser decisivo, e consegui”, disse Dembélé, em entrevista à PSG TV.

O atual camisa 10 do time parisiense também elogiou bastante o trabalho de Luís Enrique e sua relação com o treinador: “Quando assinei com o Paris Saint-Germain, ele me deu confiança. Ele me dá muitos conselhos em campo e também me dá muita liberdade, porque ele sempre me diz: ´Vou pedir para você fazer duas ou três coisas, mas você tem a capacidade de resolvê-las sozinho´. Também gosto de estar em uma posição em que tenho liberdade em campo”.

Quando Neymar se transferiu do Barcelona para o Paris em agosto de 2017, foi a maior contratação da história do futebol, por 222 milhões de euros. Naquele momento, era claro o objetivo do PSG e do QSI (Qatar Sports Investments), fundo ligado ao Governo do Catar que é o dono majoritário do clube: conquistar a Liga dos Campeões da Europa, tendo o atacante brasileiro como a grande estrela. Pessoalmente,

Neymar também tinha o desejo de brilhar e sonhava com o prêmio de melhor jogador do mundo. Apesar de já ser um dos destaques do clube espanhol e ter conquistado lá a Champions de 2015, ele dividia as atenções com Messi e Luis Suárez, e o protagonismo era sempre do argentino.

Neymar até chegou perto de ser campeão da Liga dos Campeões com o PSG em 2020, quando a equipe perdeu a final para o Bayern de Munique, em Lisboa, durante a pandemia do coronavírus. Mas apesar de boas atuações, estatísticas e muitos títulos nacionais, a série de lesões sofridas pelo brasileiro o deixou bastante tempo afastado dos gramados e atrapalhou a sua trajetória. Em números, a melhor temporada do brasileiro no Paris foi a primeira, 2017/2018, quando ele fez 28 gols e deu 16 assistências, em 30 jogos disputados (sendo 6 gols e 3 assistências, em 7 jogos pela Champions), até se machucar e ficar fora dos momentos decisivos.

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O mais perto que Neymar ficou de ganhar a Bola de Ouro foi em 2017, quando terminou na terceira colocação, mas por causa do desempenho dele ainda com a camisa do Barcelona na temporada anterior. Depois disso, ficou em 12º lugar em 2018 e 16º lugar em 2021. Nos outros anos, nem sequer foi indicado entre os finalistas.

“São situações diferentes. O Dembélé soube se encaixar em um esquema de jogo coletivo do Luís Enrique, com outros excelentes jogadores ao lado. Ele evoluiu muito nesta temporada, é um ótimo atacante, se dedica muito em campo. O Neymar a gente sabe que tecnicamente foi um craque, tem um nível acima, mas infelizmente teve várias lesões e não conseguiu ajudar o PSG da forma que todos esperavam. Os números mostram isso. E o Dembélé conseguiu conquistar a Champions, que era o troféu que todos os parisienses sonhavam. Espero que ele ganhe também a Bola de Ouro, ele merece”, opinou Jean Marc Perrin , torcedor do PSG.

O vencedor da última edição do Ballon d´Or foi o meia espanhol Rodri, do Manchester City, que superou o brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid, em uma votação que gerou polêmica. A eleição é realizada com os votos de jornalistas dos 100 países com melhor colocação no ranking da Fifa. Antes realizado de forma conjunta com a entidade que organiza o futebol mundial, desde 2016 há duas premiações separadas a cada temporada: a Bola de Ouro e o Fifa The Best.

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