A mais nova habilidade de Liam Neeson: fazer você gargalhar; ele fala sobre humor, medo e novo filme

A mais nova habilidade de Liam Neeson: fazer você gargalhar; ele fala sobre humor, medo e novo filme

Há uma fala de Anthony Hopkins que Liam Neeson gosta de compartilhar. Sempre que Neeson o pergunta como ele está, Hopkins lhe diz, “Ótimo. Ainda não fui descoberto.”

Aos 73 anos, Neeson sente que ele também ainda não foi descoberto. Uma vez nomeado o sucessor do grandioso romantismo de Sean Connery, Neeson, com sua ampla trajetória e catálogo de mais de 100 filmes de Hollywood, é, sem dúvida, tão interessante quanto qualquer ator hoje. Ele pode reivindicar filmes premiados como A Lista de Schindler e Michael Collins, blockbusters de franquia como Star Wars: Episódio I — A Ameaça Fantasma e Batman Begins, e favoritos dos fãs como Simplesmente Amor e O Filme Lego.

Após se consagrar como astro de ação, Liam Neeson agora se aventura na comédia com o novo ‘Corra que a Polícia Vem Aí’ Foto: Geordie Wood/NYT

E isso é antes de considerar a longa lista de durões de filmes de ação que este astro indicadp ao Oscar e ao Tony interpretou, o que estabeleceu sua identidade para uma geração de fãs. Isso é em grande parte graças ao surpreendente sucesso da franquia Busca Implacável, construída em torno de Neeson como um pai com um conjunto muito particular de habilidades que irá encontrá-lo e matá-lo se você sequestrar sua filha. Foi uma carreira que manteve ele e seus espectadores adivinhando o que poderia vir a seguir.

“Honestamente, não estou tentando mudar”, disse ele, questionado sobre todas as mudanças. “Não foi deliberado, mas houve muito disso para mim.”

Neeson diz isso dentro da sala de exibição no terceiro andar do prédio da Paramount na Times Square de Nova York, em uma tarde úmida de terça-feira em julho. Se você ainda não descobriu por que não pode evitar o rosto dele ultimamente, é parte de sua próxima mudança: Ele está estrelando Corra Que a Polícia Vem Aí, o reboot da franquia de comédia dos anos 80 e 90. O filme servirá como um teste para saber se a intensidade séria que fez de Neeson um favorito dos filmes de ação pode se traduzir no nível de risadas produzido por Leslie Nielsen, seu predecessor na trilogia. (Neeson está interpretando o filho de Nielsen, Frank Drebin Jr., no filme, que também é estrelado por Pamela Anderson e Paul Walter Hauser.)

“Liam é provavelmente o único ator vivo que no século 21 poderia interpretar Frank Drebin”, disse Seth MacFarlane, produtor de Corra Que a Polícia Vem Aí, observando que Neeson é um retorno a artistas como Nielsen, Robert Mitchum e Gregory Peck. “Essas eram pessoas que tinham essa gravidade que, quando elas diziam coisas absurdas, era impagável, já que havia tanto peso no que estavam dizendo. Não fazemos mais esse tipo de ator em Hollywood.”

Sua vez em Corra Que a Polícia Vem Aí é, sem dúvida, o maior salto de Neeson de volta ao mainstream desde que a trilogia Busca Implacável foi encerrada há mais de uma década. Sua carreira nos últimos 10 anos foi amplamente marcada por filmes de ação que você talvez não saiba que existiram e por pedidos desculpas por comentários em 2019 sobre uma vez ter tido o “impulso primal” de machucar um homem negro depois que uma mulher próxima a ele disse ter sido estuprada por um homem negro. (Ele mais tarde apareceu como uma versão ficcional de si mesmo na série Atlanta, do (canal pago) FX, para tocar na controvérsia.)

Então, em uma temporada de blockbusters dominada por super-heróis e dinossauros, o público está pronto para rir com Neeson? Um dos talentos mais maleáveis ​​de Hollywood pode ressuscitar a noção de que pode existir uma comédia teatral de sucesso?

“Não me considero engraçado-engraçado, mas adoro rir e brincar”, admite o ator. “Sem entrar em política e coisas do tipo, todos estamos vivendo em uma cultura, em uma sociedade onde temos medo de falar e medo se não falamos. Isso é o que eu sinto. E precisamos dos Dave Chappelles, precisamos dos Ricky Gervaises, precisamos dos Robin Williamses para fazer humor”, completa Neeson.

“É por isso que eles têm gárgulas em catedrais, para nos lembrar, ‘Vamos lá, não se leve tão a sério.’ O filme é uma risada, e precisamos disso, eu acho.”

No novo ‘Corra que a Polícia Vem Aí’, Liam Neeson é Frank Drebin Jr., filho do personagem vivido por Leslie Nielsen nos filmes dos anos 1980 e 1990 Foto: Frank Masi/Photo by Frank Masi/Paramount Pictures

Como adolescente na Irlanda do Norte, Neeson tinha duas paixões — atuação e boxe. Aos 11 anos, ele atuou em sua primeira peça escolar na esperança de impressionar uma menina chamada Elizabeth, uma colega de classe linda com pele como porcelana.

“Ela não ficou impressionada”, ele lembrou.

Aos 16, ele levou um jab sério na cabeça que o fez parar de lutar completamente. Esse físico que ele construiu ao longo dos anos na academia foi posto à prova quando ele deixou a universidade antes de terminar seu diploma e pegou um emprego como motorista de empilhadeira para a Guinness.

“Ele tinha um físico imponente, mas era uma alma muito, muito gentil e era quieto por natureza, o que contradiz o fato de ele interpretar todos esses caras durões agora”, disse o ator Ciaran Hinds, que conheceu Neeson quando tinham cerca de 18 anos, durante uma viagem de teatro para a Holanda para jovens atores irlandeses. “Ele tinha um anseio de atuar.”

Na década de 80, Neeson morava em Londres com sua namorada na época, a atriz Helen Mirren. Em uma conversa telefônica recentemente, Mirren disse que tinha notado que toda vez que ele passava por uma loja de segunda mão específica, ele parava. Ele olhava além do lixo na vitrine e encarava uma pintura de um caubói galopando pelas planícies do Oeste Americano. Neeson sempre amou filmes americanos, e Mirren, que era mais voltada para Shakespeare, não entendia muito bem. Neeson era diferente naquela época — jovem, ambicioso e, como Mirren lembra, “absolutamente horrorizado que você tinha que arrancar as pernas e a cabeça de camarões para comê-los.”

Sua aversão por camarões à parte, estava claro que ele almejava o que via como os magníficos espaços abertos e a grandiosidade da América. Toda vez que ele olhava para a pintura, ele dizia a Mirren: “Eu quero fazer isso. Eu quero ser o cara cavalgando pelas planícies”. Por fim, ela comprou a pintura para ele como uma surpresa (e talvez até como motivação).

“Quando tínhamos nossas conversas sobre nossos sonhos, e isso era muito o sonho de Liam, era altamente improvável naquele ponto que alguma vez se concretizasse”, disse Mirren. “Mas isso é sobre o que Liam falava, e é extraordinário vê-lo acontecer para ele.” Ela acrescentou: “Eu vou amar Liam até o dia em que eu morrer.”

O começo das mudanças de vida

Enquanto Neeson e eu conversávamos naquela tarde de terça-feira, estávamos a apenas uma quadra de distância de onde sua vida foi mudada para sempre de duas maneiras diferentes há mais de três décadas.

O primeiro é o cruzamento da Broadway com a West 45th Street, onde Neeson estrelou na montagem de 1993 de Anna Christie. Sua coprotagonista era Natasha Richardson, com quem ele se casou no ano seguinte e com quem teve dois filhos, Micheal e Daniel. Richardson, que morreu em 2009 aos 45 anos devido a um traumatismo craniano causado por um acidente de esqui, surge na conversa espontaneamente de vez em quando.

Quase sussurrando para descrever esse período em que compartilharam o palco, Neeson disse: “Foi ótimo fazer isso todas as noites com ela e se apaixonar.”

A outra coisa? Essa mesma peça da Broadway selou o acordo na oferta de Steven Spielberg a ele pelo papel de Oskar Schindler em A Lista de Schindler, pelo qual recebeu uma indicação ao Oscar de melhor ator. O papel alçou Neeson para novos níveis de fama, mas não o impediu de pensar que talvez outra pessoa teria sido melhor.

“Muitas vezes, eu conseguia me ver atuando. Até bem recentemente, eu sempre pensava que deveríamos ter escalado esse ou aquele ator”, ele disse. “Eu apenas me vejo atuando, e eu não gostava disso.”

Liam Neeson não gosta de se ver atuando; ‘Até bem recentemente, eu sempre pensava que deveríamos ter escalado esse ou aquele ator’, diz ele Foto: Geordie Wood/NYT

O posto de astro de ação

Nos 15 anos após A Lista de Schindler, Neeson mudou novamente, desta vez com um pequeno filme de ação que ele tinha certeza que seria um lançamento direto para vídeo e uma boa desculpa para ele mergulhar em seu repertório de boxe amador de sua adolescência na Irlanda. Chamava-se Busca Implacável.

Então, do nada, Busca Implacável tornou-se o papel que o definiu.

“Eu fiquei um pouco envergonhado”, disse ele. “Não me entenda mal — eu adorei o roteiro. Mas não posso te dizer quantos correios de voz (do discurso de Busca Implacável) eu gravei para os amigos dos meus filhos.”

Quando Neeson fala sobre como ele ascendeu ao status de estrela de ação aos 55 anos, ele fala sobre Richardson. Especificamente, ele fala sobre aquela manhã de domingo quando ela subiu as escadas, rindo, com uma bandeja carregando chá e um muffin, para dizer-lhe que o filme estava indo bem nas bilheterias. Os anos desde que sua esposa riu da boa notícia trouxeram montanhas de roteiros de filmes de ação, muitos dos quais não passam no teste do litmus de Neeson: “Se eu sentir a necessidade de fazer uma xícara de chá após ler cinco páginas do roteiro, estou fora.”

Ainda há alguns roteiros que passam no teste do chá. Mas ele sabe que há uma data de validade em sua carreira de ação como o cara que inevitavelmente vai monologar você antes de acabar com você.

“Chega um ponto em que o público sabe, e eu não quero insultar o público fingindo ter 50 anos de idade. Eu não quero fazer isso”, disse Neeson. “Eu tenho muito respeito pelo público.”

É por isso que ele estava pensando em fazer alguma comédia.

‘Não sabia se estava sendo engraçado’

Há uma cena específica em Corra Que a Polícia Vem Aí envolvendo Neeson, Anderson e um boneco de neve que parece uma viagem ácida lasciva e invernal ganhando vida. Nada mais pode ser dito sem estragar, mas Neeson tinha suas dúvidas sobre o que estavam prestes a fazer e se era muito absurdo.

“Eu pensei, ‘Isso não vai funcionar,’ mas o que eu sei?,” Neeson disse sobre a cena que recebeu as maiores risadas durante uma exibição recente. “Mas eu ainda não sabia ao final de cada dia se eu estava entregando. Eu estava tentando demais ser engraçado?”

Era, sem dúvidas, uma ideia arriscada de MacFarlane e do diretor, Akiva Schaffer, pedir a Neeson para liderar a reativação de uma franquia de comédia que estava adormecida há décadas. “Você deveria refazer coisas que têm espaço para melhoria, e o que eu pensava sobre Leslie e o Corra Que a Polícia Vem Aí original era que não havia espaço para melhoria,” disse Schaffer.

No entanto, MacFarlane e Schaffer tinham seus motivos depois que Neeson fez um trabalho de voz como ele mesmo em Family Guy, fez uma participação especial em Ted 2 e interpretou o vilão em Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola Sua aparição na minissérie Life’s Too Short, de Gervais e Stephen Merchant, em particular, plantou a semente de como a intensidade de Neeson poderia ser hilária com a escrita certa. Neeson se lembra de Gervais rindo durante as cenas, mas ainda estava cético. “Isso não me fez pensar, ‘(Palavrão), sou um comediante!’”, ele disse.

Neeson amou a atuação de Nielsen como o homem sério em Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu! e nos filmes anteriores de Corra Que a Polícia Vem Aí — “Eles eram uma alegria incontida” — mas diz que se manteve completamente afastado deles ao se preparar para mergulhar na comédia. Essa combinação de foco e a insistência em não achar que é engraçado é justamente o que faz Neeson funcionar (no novo longa), e representa uma mudança em relação a filmes cômicos recentes que buscaram aclamação crítica em vez de apenas fazer as pessoas rirem, argumenta MacFarlane.

“Nos últimos 10 anos, estamos dando às pessoas brócolis e dizendo que é uma barra de chocolate, já que muitas coisas chamadas de comédias agora definitivamente não são comédias. Oferecemos comédias que são um pouco presunçosas, talvez um pouco infladas com um senso de sua própria importância”, disse MacFarlane.

‘Liam fez mais de 100 filmes, e espero que ele esteja inspirado a fazer ainda mais’, disse Pamela Anderson, colega do ator no novo filme Foto: Geordie Wood/NYT

Se havia um superpoder que Neeson poderia trazer para relembrar as pessoas do porquê os filmes originais de Corra Que a Polícia Vem Aí eram tão amados e bobos, seria o do cara impassível e apaixonado. “Não queríamos Liam Neeson fazendo um personagem engraçado,” disse MacFarlane. “Queríamos Liam Neeson fazendo o que ele faz tão belamente.”

Você ouve a voz rouca, vê o olhar fixo e sente a estrutura de 1,93 metros, e não há nada que você possa fazer. Ele te captura. “Ele trata tudo como se fosse Busca Implacável ou A Lista de Schindler, com a mesma severidade na sua voz, expressões faciais e linguagem corporal,” disse Hauser, seu colega de elenco. “É quando ele está no seu mais engraçado.”

Para Anderson, a mudança para comédia também foi uma grande mudança. Ela está no meio de um ressurgimento depois de uma carreira estereotipada como um símbolo sexual e disse que ainda se sentia insegura de si mesma em alguns momentos durante as filmagens. Foi quando um simples “Você está indo muito bem” de Neeson ajudou a acalmá-la.

“Ele tem tanto charme e tanto carisma que você meio que cai nisso. Não consigo explicar porque nunca vivenciei isso antes”, disse Anderson. “Fazer comédia, te dá muita energia quando você está em algo tão alegre e bobo. Liam fez mais de 100 filmes, e espero que ele esteja inspirado a fazer ainda mais.”

Até hoje, Neeson ainda não gosta de se assistir. Ele viu uma edição do filme algumas semanas atrás e gostou de algumas cenas, mesmo que ainda não saiba como elas serão recebidas pelo público. Perguntado sobre o que acha de sua própria atuação, ele é mais duro consigo mesmo, contorcendo o rosto em uma meia-careta.

“Eu achei que estava OK, sério”, ele disse, repetindo. “Eu achei que estava OK.”

Então, com aquela voz e aquele olhar impassível, ele vira a cabeça e faz uma pergunta própria.

“Vocês deram algumas risadinhas?”

E novamente, Neeson me fez rir.

Este artigo foi originalmente publicado no The New York Times.

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias Recentes