Jogo cruzado: Centrão sustenta Flávio Bolsonaro, mas o premiado pode ser Lula

Jogo cruzado: Centrão sustenta Flávio Bolsonaro, mas o premiado pode ser Lula

A despeito do que pode ser uma estratégia política de Bolsonaro, de manter o nome de sua família em evidência e não deixar seu espólio se esvair ou diluir entre tantos nomes pretensos ao Planalto, a escolha de Flávio do ponto de vista racional para o jogo eleitoral é cientificamente provada como errônea. Os índices quantitativos que o colocam na segunda posição tem um componente direto do que é chamado recall. Ou seja, com o distanciamento do processo, os eleitores se apegam aos nomes mais conhecidos para responder em quem votariam, já que boa parte dos nomes listados ainda não lhes são familiares.

Nesse sentido, carregar o sobrenome Bolsonaro ajuda a qualquer um dos postulantes, nessa fase. Para não restringir a análise somente a um candidato, Ratinho Jr, por exemplo, é também beneficiado por vezes com essa correlação. Houve até mesmo uma época em São Paulo, em que um candidato ao senado, chamado Ciro Moura, para confundir o eleitor nas pesquisas, reduziu seu nome para Ciro, gerando um embaralhamento na cabeça do paulista, que pensava estar escolhendo o presidenciável Ciro Gomes para representar o Estado na Câmara Alta, fazendo com que o postulante performasse acima dos dois dígitos nas principais pesquisas.

Os dados mostram claramente que Tarcísio de Freitas e Ratinho Jr., principalmente, apontam para atributos mais interessantes do que Flávio. São menos conhecidos, com possibilidade maior de construção de imagem, dialogam com a base bolsonarista por serem assumidamente de direita, tem experiência administrativa por governarem grande estados do País e possuem índices de rejeição muito menores. São candidatos que possivelmente teriam mais condições de atrair o eleitor que não gosta de Lula, mas que votou nele por rejeitar ainda mais Jair Bolsonaro. São os nomes que poderiam romper a bolha.

Com todos esses dados nas mãos, uma movimentação tem chamado a atenção da política brasileira. Quando Flávio Bolsonaro se anunciou o ungido pelo pai, a reação do centrão foi a pior possível. Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, ex ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro foi enfático ao dizer que apesar de Flávio ser seu amigo, política não se fazia com amizade. Antonio Rueda, presidente do União Brasil, foi categórico ao dizer que não será a polarização que construirá o futuro do Brasil. A imprensa noticiou que esses líderes nem mesmo queriam receber Flávio após o improvisado anúncio. Entretanto, tudo tem mudado, numa velocidade rara e estranha.

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