Se houve tentativa de influência do ministro Alexandre de Moraes sobre o Banco Central, a favor do Banco Master, ela deu em nada, porque o BC liquidou o banco.
Ainda assim, o ministro precisa dar explicações sobre o contrato entre o Master e a sua esposa, conforme revelou o jornal “O Globo”.
O que se comenta em Brasília era que conversas sobre o Master eram corriqueiras entre autoridades durante a crise do banco, e acontecia também com ministros do STF.

Fachada do Banco Master, cujos sócios foram alvo de investigação da PF e que foi liquidado pelo Banco Central Foto: Werther Santana/Estadão
Como houve a aplicação da Lei Magnitsky sobre membros da Suprema Corte, o assunto Master veio à tona entre ministros e integrantes do Banco Central, mas sem que isso fosse visto como algo além do cotidiano dos gabinetes e corredores da capital federal.
Além de Moraes, outros ministros que poderão ser enquadrados no código de ética em gestação por Edson Fachin também falaram sobre o banco de Daniel Vorcaro. E a pressão contraria – a favor da liquidação – ocorrerou com frequência entre autoridades dos Três Poderes. Portanto, veio de todos os lados.
É por isso que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, questionado pelo Estadão a respeito da determinação de Dias Toffoli de ouvir diretores do BC, afirmou que tudo estava documentado e que ele próprio compareceria para falar, e assim blindar a sua equipe.
Desde que o Estadão revelou que servidores “cabeças brancas” seriam ouvidos na análise do caso, o entendimento do BC permanece o mesmo: a análise seria estritamente técnica.
Com os R$ 12 bilhões de crédito podre encontrados no Master, a decisão sobre a liquidação foi inquestionável.
De um jeito ou de outro, o BC indenpendente suportou as pressões políticas.