Nasa divulga novas imagens do cometa 3I/ATLAS e reafirma que não se trata de uma nave alienígena

Nasa divulga novas imagens do cometa 3I/ATLAS e reafirma que não se trata de uma nave alienígena

UM Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa) divulgou na quarta-feira, 19, novas imagens do cometa interestelar 3I/ATLAS captadas pelas lentes de oito espaçonaves, satélites e telescópios.

“Aqui está o que aprendemos sobre o cometa — e como estamos estudando-o por todo o sistema solar”, disse a Nasa.

O3I/ATLAS é um cometa que se move a grande velocidade pelo sistema solar e fascina cientistas e usuários da internet, incluindo a influencer Kim Kardashianque questionou se o corpo celeste não seria uma nave alienígena.

Essa possibilidade, refutada pela Nasa, também foi sugerida por um membro do Congresso dos EUA e por destacados teóricos da conspiração. A ideia foi alimentada ainda pelo pesquisador de Harvard Avi Loeb e por imagens falsas geradas por inteligência artificial.

“É incrível ver o nível de envolvimento das pessoas” nesse debate, afirmou Thomas Puzia, astrofísico e diretor do observatório chileno que detectou o 3I/ATLAS.

“É muito perigoso e, de certa forma, enganoso deixar que essas especulações prevaleçam sobre o processo científico”, advertiu Puzia à AFPnuma crítica pouco velada ao seu colega de Harvard, que insiste há semanas que a hipótese extraterrestre não pode ser descartada.

“Todos os fatos, sem exceção, indicam que se trata de um objeto normal do espaço interestelar. Isso o torna excepcional, sem dúvida, mas não há nada que não possamos explicar com a física e a astrofísica”, acrescentou.

Não é uma nave alienígena

Ao publicar as novas fotografias do cometa, a agência espacial norte-americana reafirmou que não se trata de uma nave alienígena. Desde a sua detecção, em julho, o 3I/ATLAS, o terceiro objeto estrangeiro ao nosso sistema solar detectado na história, continua gerando controvérsia.

O caso lembra o debate que abalou a comunidade científica em 2017, quando o Oumuamuaprimeiro objeto vindo de outra estrela para o Sistema Solar de que temos conhecimento, passou perto da Terra. Já naquela época Avi Loeb apoiava a teoria de uma nave espacial extraterrestre, tese que posteriormente defendeu em um livro.

Desta vez, também destacando a existência de “anomalias”, ele acusa seus colegas de não terem “mente aberta”. “Obviamente poderia ser de origem natural (…) mas devemos considerar a possibilidade de que seja de origem tecnológica porque, se for, as implicações para a humanidade seriam enormes”, afirmou Loeb à AFP.

“Temos muita vontade de encontrar sinais de vida no universo (…) mas o 3I/ATLAS é um cometa”, respondeu Amit Kshatriya, alto funcionário da Nasanuma coletiva de imprensa.

“Ele tem a aparência e o comportamento de um cometa”. O cometa “oferece uma visão sem precedentes de um sistema extrasolar potencialmente bilhões de anos mais antigo que o nosso próprio sistema solar (…) e tudo isso fica completamente eclipsado pelo debate sobre OVNIs”, lamentou Puzia.

Mistérios do cometa

Se há um ponto de concordância é que o 3I/ATLAS é tudo menos comum. O cometa guarda muitos mistérios, em particular sobre sua origem e composição exata, que os cientistas esperam desvendar por meio de observações nas próximas semanas, quando se aproximar da Terra.

Esse pequeno corpo sólido, composto de rocha e gelo e vindo dos confins do espaço, poderia ajudar a compreender melhor “como se formam os planetas” ou até “como pode surgir a vida ao redor de outras estrelas da Via Láctea, em diferentes épocas da galáxia”, enfatizou o pesquisador.

“É uma janela para o passado remoto, tão remoto que até poderia ser anterior à formação da nossa Terra e do nosso Sol”, disse o cientista da Nasa Tom Statler, acrescentando que sente “arrepios” com essa perspectiva.

Ao contrário dos dois primeiros objetos interestelares detectados anteriormente, que foram estudados de maneira muito sucinta, os astrônomos tiveram meses para observar o 3I/ATLAS. E esperam que isso seja apenas o começo, graças à constante melhoria dos métodos de observação e detecção. “Agora deveríamos poder encontrar outros mais a cada ano”, declarou à AFP Darryl Seligman, da Universidade Estadual de Michigan.

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