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Crédito: Reprodução/Sines Motel
“Nós vamos a Lima”. Gustavo Costas garantiu que o Corrida estará na final da Libertadores mesmo após perder para o Flamengopor 1 a 0, no Maracanã. Ele vai comandar o time argentino, nesta quarta-feira, no El Cilindro, em busca da virada.
A confiança é de um treinador atual campeão da Copa Sul-Americana e com quase 30 anos de carreira como técnico, iniciando justamente no Racing, em 1998. “Eles têm um timaço, têm muito mais poder do que nós, mas está em aberto. Temos de estar mais juntos do que nunca, estamos mais vivos do que nunca. Em casa vamos jogar o nosso sonho para podermos ir a Lima. Poder não, nós vamos a Lima”.
A vida de Costas é entrelaçada pelo Racing desde cedo, jogando em escolinha e categorias de base do clube. Ele estreou no profissional em 1981. Dois anos depois, viu fora do campo, o primeiro rebaixamento do Racing, sem poder jogar por causa de uma ruptura do tendão patelar.

Gustavo Costas conquistou a Recopa Sul-Americana contra o Botafogo em 2025. Foto: @DTGustavoCostas via X
Foi em 1985 que o zagueiro, já capitão da equipe, liderou o time para a volta à elite. Costas esteve no time campeão da Supercopa Sul-Americana em 1988, em campanha na qual o Racing eliminou Santos, River Plate e Cruzeiro. Ganhou canto da torcida do El Cilindro e se aposentou em 1997, pelo Gimnasia y Esgrima de Jujuy, imediatamente assumindo como técnico da base do seu time do coração.
Em 1999, porém, a falência do clube obrigou a promoção de Costas ao profissional. Nos 30 anos como treinador, o argentino já foi campeão com Alianza Lima, Cerro Porteño, Barcelona de Guayaquil e Independiente Santa Fe.

Gustavo Costas foi zagueiro e capitão do Racing na década de 1980. Foto: @DTGustavoCostas via X
Ele vive hoje sua terceira passagem no comando do Racing. Em 2007, teve uma campanha sem brilho. Mais calejado pela trajetória, Costas tinha uma missão clara em janeiro de 2024: tornar o clube novamente campeão.
A última (e única) Libertadores do Racing é de 1967, ano em que o time foi campeão mundial. Quando ele retornou, já eram cinco anos desde a última conquista nacional, a Superliga Argentina. A obsessão era uma copa.
“Não precisamos mais competir em copas, precisamos vencê-las”, declarou na sua apresentação. “Já apaguei muitos incêndios aqui e saí exausto. Não queria que me trouxessem aqui para isso. Espero poder conquistar coisas importantes com o Racing; é o sonho da minha vida”, completou.

Gustavo Costas é torcedor do Racing e ‘se formou’ na Academia de Avellaneda. Foto: @RacingClub via X
A receita que o levou à conquista da Sul-Americana envolveu misturar a paixão de torcedor ao conhecimento de treinador. Deu certo, e Costas tenta repetir. “Eu canto as músicas para os jogadores. Eu disse a eles que eles têm de sonhar com a Copa, onde quer que estejam: com a namorada, com a família, eles têm de pensar na Copa. Ninguém pode tirar esse sonho da gente”, emocionou-se em entrevista à Conmebol, antes do título sobre o Cruzeiro em 2024.
Elogios ao Flamengo e convocação à torcida para ‘atropelar’ rubro-negros
Gustavo Costas, como torcedor que é, convocou os pares para uma despedida do elenco antes da concentração para o jogo. O pedido foi atendido por uma multidão que compareceu ao El Cilindro na segunda-feira.
Um áudio atribuído ao treinador inflamou também o lado flamenguista. “O jogo está começando a ser ganho agora, vamos atropelá-los”, dizia a gravação. “Este jogo, mais do que nunca, precisa ser vencido de todos os ângulos. Não importa se nos multarem pesadamente (pela festa da torcida). Isso a gente se recupera depois. Eu não dou a mínima. Vamos dar o nosso melhor, o campo inteiro, tudo”, concluia.

Torcida do Racing promove festa com fogos antes da concentração do elenco para a partida contra o Flamengo. Foto: @RacingClub via X
As falas contrastam com a comedida análise após a derrota no jogo de ida da semifinal. “A verdade é que ninguém gosta de perder. Mas a verdade é que estou orgulhoso deste time”, começou.
“(O Flamengo) é uma seleção, vocês viram quem saía e quem entrava?. É uma das melhores equipes da América, que está competindo com os europeus. Esses jogos se jogam com alma, com o coração, deixando tudo, dando 100%. Jogos assim custam mais para nós”, disse em elogios ao adversário.

Enérgico, Gustavo Costas é um torcedor do Racing na beira do campo. Foto: @RacingClub via X
Costas pode fazer um time argentino voltar a ser campeão da Libertadores, o que não acontece desde 2018, quando a final reuniu Boca Juniors e River Plate. Depois de apagar incêndios e retomar o caminho de glórias com o Racing, o técnico busca a glória eterna.