Uma parcela de 69% das empresas nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Austrália já utilizam ativamente alguma forma de Inteligência Artificial, segundo estudo publicado pelo National Bureau of Economic Research (NBER). O trabalho, realizado por vários economistas, tem como base entrevistas com quase 6.000 altos executivos naqueles quatro países entre o final de 2025 e o início de 2026. Os Estados Unidos lideram a corrida da IA, com 78% de adoção, seguidos pelo Reino Unido (71%).
A visão dos executivos é de que a IA será um motor da produção, que deve ter ganho de 0,8%; e da produtividade, com impulso de 1,4%. Nos Estados Unidos, a projeção é de um ganho de produtividade de 2,25% até 2028. Dessa forma, a IA poderia encerrar a fase de crescimento fraco da produtividade dos países ricos que caracterizou a última década.

Visão dos executivos é de que a IA será um motor da produção, que deve ter ganho de 0,8%; e produtividade, com impulso de 1,4% Foto: Adobe Estoque
Até o momento, porém, reporta-se pouco efeito da IA. 90% dos executivos dizem que não houve impacto no emprego de suas firmas nos últimos três anos, e 89% dizem que não houve efeito na produtividade medida por vendas por empregado. Um pequeno percentual dos executivos reporta ganhos de produtividade já ocorridos com a IA.
O estudo revela também forte contraste de percepções sobre a IA entre executivos e empregados quando o assunto é emprego. Apesar de 90% das empresas não terem alterado o número de funcionários devido à IA nos últimos três anos, os executivos preveem uma redução de 0,7% no emprego total até 2028, o que significa 1,75 milhão de empregos eliminados nos quatro países analisados.
Os executivos de empresas maiores esperam um efeito mais forte no emprego, assim como os dos setores de hotelaria e acomodação, serviços de alimentação, varejo e atacado.
Já os empregados (neste caso a pesquisa limitou-se aos Estados Unidos) pensam que a tecnologia vai aumentar as contratações em 0,5% naquele mesmo período.
Assim, parece que os executivos veem uma adoção de IA mais ligada à eficiência e substituição de tarefas do que os funcionários, que têm a esperança de que a nova tecnologia traga mais complementaridade com as tarefas humanas.
Os setores de Informação, Comunicação e Suporte Administrativo devem ser os maiores beneficiados, com ganhos de produtividade projetados em até 2,8%. Por outro lado, setores como construção e hotelaria devem sentir menos os efeitos positivos, enquanto o comércio e serviços de alimentação podem sofrer as maiores reduções de postos de trabalho.
Segundo o estudo, o uso mais comum da IA é a geração de textos com os grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês), dos quais o ChatGPT é o mais conhecido. Em seguida vêm os conteúdos visuais e processamento de dados com “machine learning”.
Em termos de adoção da IA, prevalecem as empresas mais jovens, mais produtivas e com salários mais altos, com menor utilização da IA pelas firmas mais antigas ou com diretorias com idade mais avançada.
Mais de dois terços dos CEOs e CFOs entrevistados usam a tecnologia em média uma hora e meia por semana, com esse tempo de uso tendo crescido fortemente desde o início de 2025. Outra constatação do estudo é que os CEOs utilizam a IA com mais frequência do que os diretores financeiros.
O trabalho do NBER indica a alta expectativa, para os anos à frente, dos efeitos da IA no emprego (divergente, neste caso, entre executivos e empregados) e na produtividade, mas com impactos até agora muito modestos. O desafio para os próximos anos será alinhar as expectativas de gestores e trabalhadores, de forma a otimizar os ganhos de produtividade e a manutenção do maior número possível de empregos.
Fernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às terças, quartas e sextas-feiras (fojdantas@gmail.com)
Esta coluna foi publicada pelo Broadcast em 8/5/2026, sexta-feira.