Bateria não é a bala de prata: seria imprudente tratá-la como substituta imediata da termoelétrica

Bateria não é a bala de prata: seria imprudente tratá-la como substituta imediata da termoelétrica

Ó avanço das baterias é bem-vindo, necessário e estratégico para a modernização do setor elétrico brasileiro. Mas não é a bala de prata que irá solucionar os problemas do setor elétrico. No entanto, diante das incertezas ainda presentes sobre sua escalabilidade, seu desempenho em condições reais de estresse e sua capacidade de integração sistêmica, seria imprudente tratar essa tecnologia como substituto imediato das termoelétricas.

A experiência brasileira demonstra que a segurança energética depende de múltiplas camadas de proteção – e que com suprimento e segurança energética não se brinca.

A contratação de BESS deve começar pequena, controlada e observada de forma responsável Foto: Coley Brown/NYT

Estudos disponíveis no mercado indicam que, em simulações específicas, as baterias podem operar por mais de 9,6 mil horas ao longo de 15 anos, modulando energia em horários críticos — sobretudo no intervalo entre 18h e 21h, quando o consumo atinge picos recorrentes.

Entretanto, tais resultados dependem de premissas muito particulares, como a disponibilidade da energia renovável, a topologia da rede e parâmetros de despacho que nem sempre se replicam na operação real.

Ou seja: as baterias têm valor crescente e oferecem soluções relevantes, mas ainda há incertezas significativas quanto à sua escalabilidade, consistência de desempenho e sua adequação para funções além das quais foram originalmente concebidas.

Por isso, uma abordagem responsável exige que a contratação de baterias seja limitada num primeiro momento, com implantação gradual e foco em casos de uso bem definidos, como a modulação da ponta e a redução do redução. Esse período inicial deve servir como fase de teste, permitindo observar o comportamento das BESS (sistemas de armazenamento de energia de bateria) no contexto específico do sistema brasileiro — marcado por forte variabilidade hidrológica, intermitência renovável crescente e elevada sensibilidade a condições climáticas adversas.

À medida que os resultados reais confirmarem (ou não) o desempenho previsto nos modelos, o País poderá ampliar o uso das baterias com maior segurança. Até lá, é essencial manter as térmicas como pilar estrutural da confiabilidade do sistema, pois são elas que garantem suprimento continuado nos momentos mais críticos.

Concluindo, não resta dúvida de que as baterias podem ajudar a equilibrar o consumo de energia durante o dia, em particular nos horários de ponta. Porém, não podemos de forma alguma abrir mão das térmicas que sustentam e trazem segurança ao sistema elétrico.

A contratação de BESS deve começar pequena, controlada e observada de forma responsável. Porque segurança de suprimento é assunto sério demais para depender de testes em grande escala.

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