‘COP-30 em 30′: Ministros entram no jogo e Cúpula do Clima começa fase política em Belém
‘COP-30 em 30’ é apresentado por Ajinomoto, BNDES, Governo Federal do Brasil, Governo do Pará, Hydro e JBS e patrocinado por Aegea, Agropalma, Ypê e Zurich. Crédito: Carla Menezes | Julia Pereira | TV Estadão
ENVIADA ESPECIAL A BELÉM – Na abertura da semana final de negociações da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30), cientistas e líderes de diferentes países se juntaram na manhã desta segunda-feira, 17, para pedir a entrega de roteiros claros de afastamento dos combustíveis fósseis e para a proteção e recuperação de florestas.
Os documentos estão entre os resultados esperados da conferência climática em Belém, em dois temas centrais para a contenção da mudança do clima. Com a chegada dos ministros, as negociações entram em fase decisiva.
Os integrantes do grupo “Guardiões Planetários”, que inclui o climatologista brasileiro Carlos Nobre e o sueco Johan Rockström, entregaram aos chefes das delegações uma declaração alertando sobre os riscos climáticos e a perda de dois dos ecossistemas mais essenciais do planeta: a Floresta Amazônica e os recifes de corais tropicais.
“Essa é a da verdade para esta COP, a hora da verdade para a presidência. Estamos muito perto dos pontos de não retorno (da Amazônia e dos recifes de corais)”, disse Rockström. “Precisamos entregar mapas do caminho para evitar mudanças irreversíveis que vão impactar milhões de pessoas. São roteiros para a vida”.

COP-30, em Belém, tem sido marcada por protestos de indígenas pela preservação da Amazônia Foto: Wilton Junior/Estadão
“Vamos entregar para todos os delegados e esperamos que todos entendam a emergência climática que estamos vivendo”, disse Nobre, ressaltando as secas e incêndios na Amazônia nos últimos dois anos, que foram impulsionados pela mudança do clima.
A ação, que teve ainda participação dos ex-presidentes da Colômbia e Irlanda, Juan Manuel Santos e Mary Robinson, antecedeu a primeira sessão da Plenária de Alto Nível da COP-30, em que as discussões passam a ocorrer entre ministros de centenas de países.
‘Divórcio’ entre ciência e negociações
Embora as pesquisas climáticas sejam a base das conferências de clima, o grupo de cientistas aponta que os dados científicos têm sido limados dos textos de negociação, o que veem como estratégia de atraso e negacionismo.
“Alguns países estão fazendo esforços orquestrado aqui na COP e antes, nas negociações do IPCC, para divorciar a ciência das negociações climáticas, quando ela deveria permanecer a sua fundação”, diz uma declaração assinada por membros do Pavilhão de Ciências Planetárias, divulgada na última sexta-feira.
O pavilhão dedicado à ciência integra pela primeira vez o espaço oficial da COP. O objetivo é atuar como “centro de comando”, oferendo análises e dados em tempo real para orientar decisões estratégicas durante a conferência.
Os cientistas têm reforçado que o roteiro de eliminação dos combustíveis fósseis deve ser a principal prioridade dos negociadores e que o impulso criado na COP-30, com manifestações de apoio de vários países, não pode ser perdido.