
Parte do mercado via espaço para o País fechar 2026 com participação de 5% no MSCI-EM, mas agora há maior ceticismo Foto: Daniel Teixeira/Estadão – 09/03/2020
A Bolsa brasileira teve um momento de fôlego com o retorno do fluxo de investimentos estrangeiros, que voltou a registrar leve alta na última semana, após praticamente dois meses consecutivos de queda. Ainda assim, estrategistas apontam que o “céu de brigadeiro” observado nos primeiros meses de 2026 não deve retornar, adiando as projeções de maior relevância do Brasil na carteira do Morgan Stanley para emergentes, o MSCI-EM.
Os índices do MSCI estão entre as principais referências do mercado internacional na alocação de capital passivo. Há benchmarks tanto para países quanto para regiões ou setores. No MSCI-EM, o Brasil já chegou a 17% de peso em 2008.
Em abril, quando a entrada de capital estrangeiro na Bolsa atingiu a marca de R$ 69 bilhões, parte do mercado via espaço para o País fechar 2026 com participação próxima de 5% no indicador – nível que “força” gestoras globais a terem um acompanhamento mais apurado do mercado local.
Agora, com o saldo positivo reduzido pela metade, para R$ 34 bilhões, há maior ceticismo. Em fevereiro, o Citi apontava que o Brasil poderia voltar a ganhar peso relevante no índice. Naquele momento, os ativos brasileiros representavam 4,9%, mas hoje esse porcentual recuou para 3,8%. Neste ano, há ainda mais dois rebalanceamentos do índice, em agosto e em novembro.
‘Promoção’ de asiáticos ajudaria o País
O Citi aposta que o País poderia voltar a ganhar relevância caso a Coreia do Sul e Taiwan sejam promovidos de emergentes a desenvolvidos nos índices do MSCI, pois já se comportam como a “primeira divisão”. Juntos, os dois países representam 51% do indicador – 23,7% para ativos sul-coreanos e 27,3% para os taiwaneses.
Apesar de remota, há quem acredite que a possibilidade de chegar a 5% ainda existe. “Neste ano a Grécia, que é uma economia pequena, foi elevada a país desenvolvido. É possível que o Brasil feche o ano com peso de 5%. Não é uma previsão, é difícil dizer, mas é possível que sim”, diz o head de Pesquisa da América Latina do Citi, André Mazini.
A opinião a respeito da Coreia do Sul, contudo, não é consensual no mercado. “O país hoje representa 24% do índice e sobe 99% ao ano em dólar. O fato é que ela não entrou na ‘watchlist’ do MSCI para migração. Então, eu acho que é pouco provável que tenhamos essa alteração relevante de preços no curto prazo”, diz o cabeça de Equities na Bradesco Asset Management, Rodrigo Geraldes.
Fluxo foi para a área de tecnologia
O apelo e o potencial de expansão das empresas de tecnologia ajudam a explicar por que os fluxos estrangeiros arrefeceram e o Brasil perdeu espaço na disputa por recursos. Não à toa, o Nasdaq 100, índice com forte peso das grandes empresas de tecnologia e do setor de semicondutores, valorizou 21,45% desde abril. Com forte peso de techs, a Bolsa de Seul subiu 32,27% no período e a de Taiwan, 37,86%.
Mesmo que este apelo por ativos de tecnologia force uma elevação da categoria da Coreia do Sul e de Taiwan no MSCI, a percepção no mercado é que não haveria uma migração automática do fluxo para o Brasil.
“Se houver de fato um cenário em que há esse atualizar da Coreia do Sul, a pergunta seria quanto que vem de fluxo para o Brasil: se o investidor passivo do MSCI-EM vai vender uma parcela correspondente ao tamanho da Coreia para aplicar no índice de desenvolvidos. Se ele não fizer isso, vai sobrar fluxo para o Brasil”, pondera o estrategista-chefe do BTG Pactual, João Scandiuzzi.
“Tivemos um rebalanceamento lá fora entre ações de crescimento versus valor”, continua Scandiuzzi. “As ações brasileiras são sobretudo de valor: são empresas consolidadas, pagadoras de dividendos, geradoras de lucro, sólidas, mas que não têm exatamente o mesmo apelo, por exemplo, do setor de tecnologia em termos de crescimento e de potencial de mercado.”
Cenário local ficou mais complexo
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Além disso, o estrategista do BTG aponta que o cenário local se tornou mais complexo do que o projetado no início do ano, quando se esperavam cortes significativos nas taxas básicas de juros no Brasil e no mundo, e uma inflação sob maior controle.
“Mesmo se o MSCI decidisse iniciar uma consulta sobre a Coreia em 2027, a implementação de uma eventual reclassificação provavelmente ocorreria apenas em 2028 ou depois. Portanto, vejo esse cenário como pouco provável no curto prazo”, avalia o cabeça da corretora do Scotiabank Brasil, Michel Frankfurt.
Os rebalanceamentos no radar também acabam não sendo relevantes para o Brasil. Considerando a saída da Grécia e, eventualmente, da Indonésia, que pode ser rebaixada por questões relacionadas à transparência e à estrutura de mercado, o impacto para os ativos locais seria bastante limitado, já que ambos os países possuem peso relativamente pequeno dentro do MSCI-EM. Pelas estimativas atuais, de acordo com o Scotiabank, a participação brasileira teria um aumento marginal, passando de aproximadamente 3,88% para 3,91%.
Esta notícia foi publicada na Transmitir+ no dia 08/07/2026, às 12:03
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