Leandro Karnal e suas 20 sugestões de livros para este inverno; veja lista

Leandro Karnal e suas 20 sugestões de livros para este inverno; veja lista

Em breve, nosso tímido outono dará lugar ao instável inverno brasileiro. Menos horas ao ar livre, mais frio, melhor ocasião para ler. Vamos lá!

Capa de livros indicados por Leandro Karnal em sua coluna no ‘Estadão’ deste domingo, 26 de abril de 2026. Leia mais detalhes abaixo. Foto: Editora Record | Companhia das Letras | Editora Record

Você ama um autor ou pintor e descobre que ele era um horror como pessoa? Eu tive essa sensação quando vi uma entrevista com Michel Houellebecq. Eu havia lido Submissão (Alfaguara) e adorado! Na entrevista, porém, ele se comportou de maneira desagradável com a repórter, com traços de antipatia absoluta. Gostar da obra e detestar a vida do autor? Parte dessas questões está discutida no livro Monstros, O Dilema do Fãde Claire Dederer. Seria possível separar vida de obra? Gênios precisam ser éticos? Essa discussão é muito bem desenvolvida no livro publicado pela Editora Amarcord.

Gosta de um textão de história? Berlim, A Queda 1945de Antonio Beevorfoi feito para você (editora Crítica). Mais de quinhentas páginas sobre a derrota final do nazismo em narrativa vibrante e muitas fontes novas. Como tenho o original, parabenizo a tradução de Rafael Rocca dos Santos.

Aprecia uma reflexão filosófica em cruzamento com desafios tecnológicos? Não perca o livro de Marcus Bruzzo: Seremos Dados (editora Difel). Como pensar a inteligência artificial do ponto de vista crítico? Fiz o prefácio dessa obra interessado em várias questões propostas pelo autor. Escreve Bruzzo: “A IA é um espelho da humanidade, como apontado pela pesquisadora Shannon Vallor, mas isso não significa que nos reconhecemos nas imagens que vemos. A humanidade, por milênios, tem se ajoelhado em louvor frente aos mitos que ela própria criou, como se ajoelha às respostas dadas pelas tecnologias às perguntas que ela mesma determinou. E Kierkegaard já houvera alertado em seu O Desespero Humano: Doença Até a Morte que ‘ninguém pode se ver em um espelho, sem se conhecer previamente, caso contrário não é se ver, mas apenas ver alguém’”.

Eu uso muito a palavra esperança. É um conceito precioso. Terry Eagleton lançou o texto Esperança sem Otimismo (Editora da Unesp). Byung-Chul Han escreveu O Espírito da Esperança – Contra a Sociedade do Medo (Vozes) e Itamar Vieira Junior retratou a epopeia de Rita Preta na periferia de Salvador: Coração sem Medo (editora Todavia, terceiro e último volume da Trilogia da Terra). De formas distintas, o conceito de esperança permeia os três livros. Ouse ler e pensar em um mundo melhor!

Quer dar um presente ou comprar algo que vai mudar sua maneira de pensar? A caixa com três livros de Michael Sandel: A Tirania do Mérito, O Que o Dinheiro Não Compra e Justiça (editora Civilização Brasileira). Ler os três volumes ressignifica seus conceitos contemporâneos sobre os temas. Você crescerá muito dos debates com essas fontes.

Deseja um desafio estilo “projeto”? Descubra o autor chinês Lu Xum (1881-1936). O livro Gritar (editora 34) contém a tradução dessa obra seminal da literatura chinesa e vem acompanhado de estudos muito bons para descobrir um novo recorte da arte humana. Creia-me: você será transportado a outro universo e fora dos eixos que construíram nossa zona de conforto em narrativa. Ao final, extrema contradição, você pensará ser uma pena que o livro tenha apenas 574 páginas.

Quase todo mundo ouviu falar de Moby Dickde Herman Melville. Menos gente leu Bartleby, O Escrivão. A publicação da editora Autêntica (traduzida por Tomaz Tadeu) prefere a palavra escrevente. Temos outra tradução, de Antônio Xerxenesky (editora Antofágica). Alternativas variadas: leia a versão de Pinheiro de Lemos (editora José Olympio) e, por fim, a de Irene Hirsch (Ubu Editora). A abundância de traduções mostra o fascínio da obra. Bartleby, talvez, devesse ser lido ao lado de outro texto genial sobre a vida mais opaca: A Morte de Ivan Ilitchde Leão Tolstói (editora 34) com a tradução de Boris Schnaiderman. E o clássico Ressurreiçãodo mesmo autor russo, emerge com o selo José Olympio e o empenho do polímata Irineu Franco Perpétuo.

O Louco de Deus no Fim do Mundo (editora Record) narra a contradição do papa Francisco visitando um país pouco cristão (Mongólia) acompanhado de um ateu convicto. Javier Cercasespanhol, nos conduz pelas perguntas da espiritualidade e vida após a morte.

Tem crianças e adolescentes por perto? Ilan Brenman fez um texto tocante: Uma Carta Para Minhas Filhascom ilustrações de Rashin Kheiriyeh (editora Moderna). Pura poesia!

Quer estimular discussões sobre valores e educação para a diversidade dos seus filhos? Indico Daniel Munduruku: Histórias de Índio (editora Cia. das Letras, ilustrações de Laura Beatriz), que faz sucesso há quase 30 anos. Do mesmo autor (e premiado com o Jabuti): Estações (editora Moderna, ilustrado por Marilda Castanho). A juíza Flavia Martins de Carvalho fala de tolerância ativa no livro Contos de Quilombo (editora Mostarda, ilustradora Aline Guimarães). Se a “pegada” com os jovens leitores for relativa a valores éticos e filosofia, tente Mario Sérgio Cortella: Cortella & Philó (editora Planeta, ilustrações de Ednei Marx/Studio 58).

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Leia para as crianças e sejam vistos lendo. Futuros leitores são educados pela imitação e pelo afeto. Quando vejo crianças lendo, tenho muita esperança no futuro. Livros aquecem a alma.

A lista de livros recomendados por Leandro Karnal:

  • Submissão (Michel Houellebecq)
  • Monstros, O Dilema do Fã (Claire Dederer)
  • Berlim, A Queda 1945 (Antony Beevor)
  • Seremos Dados (Marcus Bruzzo)
  • Esperança sem Otimismo (Terry Eagleton)
  • O Espírito da Esperança – Contra a Sociedade do Medo (Byung-Chul Han)
  • Coração sem Medo (Itamar Vieira Junior)
  • A Tirania do Mérito (Michael Sandel)
  • O Que o Dinheiro Não Compra (Michael Sandel)
  • Justiça (Michael Sandel)
  • Grito (Lu Xum)
  • Bartleby, O Escrivão (Herman Melville)
  • A Morte de Ivan Ilitch (Lev Tolstoi)
  • Ressurreição (Lév Tolstoi)
  • O Louco de Deus no Fim do Mundo (Javier Cercas)
  • Uma Carta Para Minhas Filhas (Ilan Brenman)
  • Histórias de Índio (Daniel Munduruku)
  • Estações (Daniel Munduruku)
  • Contos de Quilombo (Flavia Martins de Carvalho)
  • Cortella & Philó (Mario Sérgio Cortella)

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